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Design e Moda: como agregar valor e diferenciar sua confecção
Carlota Rigueral, IPT, 2002.
A Moda Através dos Tempos
_A pesquisa histórica é uma fonte recorrente de inspiração de vários estilistas de renome para dar início à criação de uma coleção, que por sua vez, deve servir como consulta obrigatória em muitas ocasiões e orientar para outras fontes que deverão ser pesquisadas para aprofundamento de temas específicos.
Egito
No período de 3000 a .C., a palavra de ordem para os egípcios talvez tenha sido a elegância. Povo regido pela estética e pela cura do corpo na sua essência, os banhos e os perfumes faziam parte de um tratamento de beleza que se repetia diariamente.
As mulheres vestiam-se ou despiam-se, mais ou menos como os homens. A transparência que hoje é invocada pelos estilistas, já era então difundida, propiciada por um linho finíssimo (coano). As formas jamais eram escondidas, mas valorizadas.
A principal particularidade estava na riqueza dos tecidos pregueados (uma espécie de plissê) que formavam saias, mangas morcego e vestes.

As cores em todas as suas nuanças eram admitidas, com exceção da negra (usada apenas nos cabelos) e da vermelha, considerada amaldiçoada, reservada ao faraó, significando “violência temível”.
• Característica predominante:
- túnicas com vários tipos de sobras e tecido pregueado.
•Modelagens:
- tanga enrolada;
- kalasíris : veste longa com ou sem manga, masculina ou feminina, cobrindo o tornozel, apenas para as mulheres ( 1000 a .C.);
- trabalhadores: vestes largas e mais curtas, para facilitar os movimentos;
-elite: vestes justas, definindo o corpo;
- procardium : veste curta;
- saia pregueada;
-capa redonda ou retangular – linho pintado ou entrelaçado.
• Cores: todos os matrizes, com exceção do negro e do vermelho.
• Tecidos: linho tecido ou tricotado, para criar uma certa elasticidade nas vestes justas.
• Adereços:
- faixas de linho, couro ou fibras entrelaçadas (exceto a lã de carneiro, considerada impura);
- jóias em prata e vidro (colares, pulseiras, brincos, etc.) e couro (reservado aos faraós).
> Filmes sobre o tema: “Faraó” e “Cleópatra”.
Grécia
No período de 1700 a .C., os gregos eram conhecidos na época como muito vaidosos. O corpo era cultuado e tudo que valorizasse a silhueta era assimilado rapidamente, a exemplo dos corpetes aderentes que marcavam a cintura e deixavam os seios à mostra para as mulheres ou os cinturões de pele e couro para ressaltar tórax do homem. A ginástica fazia parte de suas atividades para fortalecer e delinear as formas do corpo. Vale lembrar que a Grécia foi o berço das Olimpíadas, com suas provas de atletismo.
Os vestidos eram ricamente bordados com plaquinhas de ouro laminado em diferentes formatos (lubas, borboletas, folhas de palmeiras). Todo o requinte era aplicado em debruns ou faixas que contornavam decotes, mangas e barras das vestes.

O hábito da higiene era compartilhado por ambos os sexos, sendo o banho um ritual diário e a depilação uma prática corriqueira.
• Características predominantes:
- túnicas com vários tipos de sobras e pregueados.
- capas presas de um lado ou usadas como xales sobre as túnicas (usadas também sozinhas no séc. V);
- debruns (borrados ou ourelas) – motivos: desenhos geométricos, linhas onduladas, listras e florais;
- estampas e bordados vistosos e alegres
• Modelagens:
- quitão : túnica longa ou curta presa por cintos (usada para ginástica);
- peplo : sobrevestes feminina de lã;
- clâmide : capa de lã.
• Cores: vermelho-escuro, púrpura e branco.
• Tecidos: lã, linho tecidos finos e transparentes ( coanos ) e seda (raramente).
• Adereços:
- sandálias femininas e masculinas;
- botas de couro até o joelho para os homens (trançadas – abertas frontalmente);
- brincos de ouro e fios de pérolas para adornar os cabelos e o pescoço;
- cintos trabalhados em metais preciosos.
> Filme sobre o tema: “Os trezentos de Esparta”.
Roma
_No período de 600 a .C., inicialmente, as mulheres romanas usavam basicamente a mesma toga que os homens, mas aderiram à moda grega e acinturaram suas túnicas logo abaixo dos seios. No inverno, tanto os homens quanto as mulheres usavam a sobreposição de diversas túnicas. Para a ginástica, as mulheres chegavam a usar apenas duas peças, que pode ser considerado o traje antecessor do nosso atual biquíni.
_A forma de vestir, tanto dos homens como das mulheres, era acrescida de adereços apenas para participar de ocasiões especiais, como transações de negócios ou celebrações.
_Os cuidados com a aparência não estavam só nas vestimentas; os banhos públicos eram um hábito muito difuso, freqüentados à tarde pelos homens e de manhã pelas mulheres. Quanto aos cabelos, as mulheres costumavam tingi-los, sendo as cores azul e amarela aquelas reservadas às cortesãs.
• Característica predominante: clavis – insígnias, na forma de faixas de cor púrpura com diversas larguras, indicando condição social e profissão.
• Modelagens:
Homens:
- toga: capa que media três vezes o comprimento e duas vezes a altura de quem usava, distribuída em torno do corpo, formando uma prega frontal que servia de bolso (sinus);
- pênula: veste em formato de sino, com ou sem capuz, fechada por alfinete, feita de lã grossa ou couro macio para o inverno rigoroso;
- túnica: usada por baixo da toga (só os operários usavam a túnica sem a toga), podendo ser usada várias sobrepostas, normalmente com manga curta (cobrindo os cotovelos), exceção feita aos sacerdotes e atores que as usavam com mangas compridas;
- calções justos, curtos ou longos, que faziam parte da indumentária militar.
Mulheres:
- interala: túnica interior em lã (roupa íntima), justa e longa, normalmente com mangas curtas (usadas em casa), e enfeitada nos ombros com fivela ou botões, para sair;
- túnica com pala quadrada ou oblonga (mais comprida que larga, formato similar a uma gota);
- barrados de cor púrpura, guarnecidos com pérolas e pingentes de ouro;
- debruns ao redor do decote e das extremidades das mangas.
• Cores: púrpura, vermelho, verde e azul.
• Tecidos: lã, algodão, seda, tecidos finos e transparentes ( coanos ) e couro.
• Adereços:
Homens:
- sandálias e botas com aberturas e trançados que chegavam quase até os joelhos;
- anéis em profusão, sendo os usados no inverno pesados e rebuscados e no verão leves, inclusive nos pés (exceto no dedo médio).
Mulheres:
- sandálias e botas até o tornozelo enfeitadas com detalhes em ouro e pérolas;
- cintos ( um ou mais) largos, em couro macio para formar drapeado e elevar os seios;
- pentes de tartaruga e alfinetes ocos (para conter perfumes ou venenos);
- flammeum ou ricinium : véu preso de diversas maneiras pendendo pelas costas.
> Filmes sobre o tema: “Sparctus”, “A queda do Império Romano” e “O manto”.
Idade Média
Nos períodos dos séculos XI a XIII, as diversas nações do ocidente haviam seguido um desenvolvimento separado, tendo cada uma trilhado um caminho próprio em termos de “moda”.
Porém, o contato estabelecido pelas Cruzadas provocou uma certa uniformidade, que se viu enriquecida pela civilização oriental, principalmente no que diz respeito aos tecidos e ornamentos.
Os cavaleiros envergavam uma túnica de lã até o joelho, sobre a qual usavam uma túnica mais curta em malha metálica com um cinturão de couro, de onde pendia a espada. Completando o traje, portavam capacete de ferro e um escudo com as insígnias do feudo e o emblema da mulher amada.

Os modismos começaram a florescer e a França tornou-se a grande lançadora, com vestidos e meias bicolores. A maior diferença entre os países estava na variação da largura da boca das mangas ou no bico dos sapatos.
No século XIII, a capa masculina tornou-se mais curta, chegando acima do cotovelo, com algumas variações, como aquela com o capuz – le capuchon.
Os casacos de pele até os pés eram usados nos países mais frios e podiam ser de urso, zibelina ou marta (os mais caros) ou de carneiro, lebre, gato ou até mesmo de cachorro.
• Características predominantes:
Homens:
- vestes com mangas exageradas, que chegaram a ganhar enchimentos (mahoîtres);
- meias combinando com as cores das vestes;
Mulheres:
- modelagens cada vez mais exageradas (largura da boca das mangas e cauda dos vestidos);
- detalhes de debruns contornando decotes, punhos e barras.
• Modelagens:
Homens:
- sobr eveste;
- chausses: meia-calça;
Mulheres:
- veste interior;
- sobreveste justa com mangas tipo sino;
- casacos de pele (nórdicas).
• Cores: matizes de escarlate, roxo, verde e amarelo queimado. As cores passaram a seguir o brasão de cada família ou feudo.
• Tecidos: surgiram novas estruturas, como a musselina, fustão, cetim, tafetá e veludo. A seda, a lã, o linho e o sisal eram usados para as vestes internas
• Adereços:
Homens:
- sapatos com pontas bem finas e compridas foram substituídos pelas botas de pontas arredondadas e cano alto até o joelho, com borda virada;
- levas;
- chapéu ou capuchon (capuz) usados acoplados ou não à capa.
Mulheres:
- sapatos baixos, muitas vezes em seda bordada;
- hénnin: cone pontudo com véu ou toucas de musselina perfumada;
- luvas;
- brincos, broches e colares de ouro rebuscados por pérolas ou pedras preciosas.
>Filmes sobre o tema: “O feitiço de Áquila”, “O nome da rosa” e “Coração valente”.
Renascimento
Séculos XIV a XVI
Admite-se que a moda nasce nesta época, quando mudanças socioculturais e econômicas, como a intensificação das trocas comerciais, a prosperidade das cortes do norte da Itália e a emergência da noção do indivíduo, vão permitir mudanças cada vez mais aleatórias e freqüentes da indumentária.
O primeiro reflexo a se fazer sentir é o surgimento de trajes bem diferenciados para o homem e para a mulher, ao contrário do que vinha ocorrendo há séculos em diferentes sociedades.

A grande evolução deu-se na modelagem das meias, que deram origem às primeiras calças. No fina do século XV, as nesgas entre as pernas (no gancho) facilitaram um pouco mais os movimentos masculinos.
O Renascimento não só acarretou uma reviravolta política, como também uma enorme difusão das culturas clássicas, latina e grega. A moda sublinhou essa evolução, traduzindo o gosto pela beleza no luxo do vestuário.
O estilo espanhol predominou até o início do século XVI, com seus trajes rígidos. Para os homens, meias longas e justas, calções golpeados (talhos no tecido geralmente no sentido longitudinal ou diagonal) quase até o joelho, gibão (casaco curto) também golpeado e não muito justo, vários tipos de sobrevestes longas com mangas, chapéus rijos e de abas pequenas, e sapatos de salto baixo e bico arredondado.
Primeiramente, os calções tornaram-se mais longos e bufantes, com forros coloridos saindo pelos largos golpeados para, na segunda metade do século, encompridarem ainda mais, originando as calças tonnelets.
Os babados deram lugar às grandes golas e punhos engomados, rendados e bordados, estilo adotado também pela classe média, diferindo da corte apenas na qualidade dos tecidos e dos detalhes. Inicialmente, os adornos de cabeça mais usados eram a biretta e o barrette (espécie de boina ampla), geralmente com pequenas abas, mas com inúmeras variações no formato, no tamanho da copa, nos adornos e nos materiais empregados. Somente em meados do século XVI é que começaram a se usar os chepéus como os conhecidos atualmente, numa infinidade de modelos. A toque , uma espécie de gorro flexível com debruns em ouro e prata, adaptado do vestuário feminino, consagrou-se entre as pessoas da corte até que, durante o reinado de Henrique IV, o chapéu de feltro de abas largas suspenso em um dos lados tornou-se uma unanimidade em todas as classes sociais.
As capas foram encurtadas e as mangas substituídas por abertura para os braços. Alguns tios, como aqueles dotados de goller (peça lisa para cobrir os ombros, o peito, e as costas à qual era costurado o traje) tornaram-se indumentária oficial do clero reformista e até hoje são usadas por ministros luteranos e calvinistas.
Para as pernas, a grande novidade foi a introdução de meias tricotadas que, apesar da imediata aceitação, inicialmente teve seu uso limitado pelo seu custo elevado.
Para as mulheres, os vestidos passaram a se constituir de duas peças: um corpete muito justo até a cintura, decotado e deixando visível a camisa cordada que chegava quase até o pescoço em função da rigorosa etiqueta imposta por Carlos I da Espanha, e uma saia mais longa na parte traseira. Para que o traje ficasse liso, usava-se, na parte superior, um espartilho de sarrafo fino ajustado por fitas, e na parte inferior, na anágua que esticava a parte sobreposta (as anquinhas). A camisa tinha punhos e, ao seu redor, babados estreitos de fino linho.
No início do século XVI, o cabelo era arrumado em pequenos ou grandes anéis por toda a cabeça, ou eram envolvidos por uma rede e depois de repartidos pendiam soltos ou em tranças, no caso de cabelos longos.
• Características predominantes:
Homens:
- modelagens rijas e com enchimento foram dando lugar àquelas mais maleáveis, facilmente observadas nos calções, babados e chapéus;
- calções mais longos e sobrevestes mais curtas e sem manga.
Mulheres:
- vestido constituído de duas peças: corpete e saia; sob o corpete, camisa decotada substituída por aquelas até o pescoço.
• Modelagens:
Homens:
- camisa com grandes golas e punhos engomados, rendados e bordados;
- gibao: casaco curto não muito justo, golpeado e com enchimento frontal (atingindo o auge da sua evolução com o perfil “peito de pombo”);
- schaubes : capas de corte circular;
- haut-de-chausses : calções justos e curtos;
- bas-de-chausses: calções longos e largos;
- tonnelets : calças até o joelho, sem golpeados nem enchimento e com a substituição da lapela frontal por abertura abotoada.
Mulheres:
- corpete muito justo, acabando em ponta na frente;
- saias sem pregas, com anquinhas em forma de sino ou cilíndricas, mais compridas atrás e mostrando os sapatos na frente;
- camisa bordada.
• Cores predominantes: tons intensos de vermelho, azul e verde para as vestes e branco para as camisas e golas.
• Tecidos: veludo, sedo, linho, rendas, couro, enchimentos.
• Adereços:
Homens:
- birettas: chapéus rijos de copa alta e cônica e de abas estreitas;
- toque: chapéu de aba larga e macia virada pra cima num dos lados, presa a uma fivela com uma pena de avestruz pendente;
- barrette: chapéu de boina ampla e maleável;
- meias tricotadas;
- sapatos: forma do contorno do pé e depois menos pontudos, com salto mais alto e adorno com fitas.
Mulheres:
- sapatos semelhantes aos masculinos, mas com bordados, planos ou curvados para cima;
- espartilho;
- jóias (anéis e colares em ouro e pedras preciosas).
>Filmes sobre o tema: “Romeo e Julieta”, “Shakespeare apaixonado”, “Elizabeth” e “Hamlet”.
Século XVII
A Guerra dos Trinta Anos influenciou com estilos mais naturais a moda francesa. Foi o casamento de Luís XIII em 1615 que revolucionou a indumentária, tornando a moda francesa numa lançadora de tendências. A partir da morte de Henrique IV, em 1633, o luxo chegou a tal ponto que foi reativada uma lei de 1629, que proibia o uso de pedras preciosas e ouro, ainda que falsos, ou bordados, exceto para os nobres e príncipes.
No decorrer de dez anos – até 1650 – a indumentária passou mais uma vez por uma completa transformação. Na moda masculina, o único detalhe a sobreviver foi a gola de renda fechada na frente, que caía folgadamente sobre os ombros, privilégio das classes abastadas e posteriormente trocada por aquela confeccionada em linho com enfeites de renda, até ser novamente substituída pelo lenço amarrado com nó ao pescoço.
Em 1660, a grande transformação se deu pelas substituições do gibão pela casaque abotoada frontalmente, e das botas longas pelos sapatos de veludo com salto. A evolução da casaque foi o justacorps (origem do nosso terno), que seguia o mesmo modelo, porém com mais ornamentos e galões de ouro formando linhas perpendiculares.
Os cabelos e a barba também foram alvo da moda. As perucas loiras ou castanhas de cabelo natural eram as mais apreciadas.
As mulheres usavam vestidos compostos por até três saias: la fidèle , guarnecida de fitas e bordados, la fripponne , em tecido bordado de ouro e prata sobrecarregada de bordados e abertura na frente, a la modeste , que de tão comprida, precisava ser erguida por um pajem.
• Características predominantes: luxo crescente ao longo do século, com poucas modificações no corte, exceção feita para a substituição da casaque pelo justaucorps para os homens, e do acréscimo de uma saia para as mulheres.
• Modelagens:
Homens:
- casaque substituída pelo justaucorps , ricamente ornamentados com rendas, galões, bordados com fios de ouro, prata e pedras preciosas;
- calções decorados;
- golas rendadas.
Mulheres:
- trajes similares aos masculinos (início do século);
- vestido constituído de três saias;
- camisa bordada com punhos rendados;
- corpete com decotes baixos.
• Cores: para la fidèle: a cor preferida do homem amado e cores claras para as meias e gravatas.
• Tecidos: tecidos maleáveis brocados em ouro, prata e gemas, damasco, tafetás, veludos, rendas e seda.
• Adereços:
Homens:
- cabelos compridos usados com chapéus de abas largas, adornados com penas (início do século),seguidos por perucas altas e muito elaboradas (final do século);
- botas altas dobradas nos joelhos (início do século), substituídas por sapatos de salto, bico quadrado e fivela;
- luvas com punhos bordados, substituídos por punhos rendados;
- abotoaduras e gosto pelas jóias;
- meias justas;
- lenço rendado para o pescoço com alfinete;
- bengala.
Mulheres:
- troca dos chapéus por perucas;
- cinto de couro;
- jóias, com predileção pelas pérolas;
- lenços rendados;
- leques;
- sapatos iguais aos dos homens, revestidos com tecido do vestido;
- meias;
- saquinho de essências no decote;
- pentes em ouro e marfim.
>Filmes sobre o tema: “Os três mosqueteiros”, “Cristóvão Colombo” e “Ana dos mil dias”.
Século XVIII
Período pré-revolução
Ao final do século XVII, a indumentária européia atingira seu ponto mais alto; no entanto; os avanços se deram mais nos ornamentos que nos cortes. Na França, a extravagância e o excesso de adornos continuaram até as vésperas da Revolução Francesa.
As roupas continuavam formais, rígidas e elaboradas. Os pés eram apertados em sapatos altos e finos, enquanto as cabeças suportavam o peso das perucas empoadas e cacheadas (para os homens), e armações e enchimentos (para as mulheres).
Nos trajes masculinos do início do século XVIII, muitas mudanças foram introduzidas, a fim de facilitar as práticas militares, como a redução das perucas e o resgate do culotte (calça ajustada tipo montaria).
As modificações mais importantes foram nas abas dos casacos, que passaram a ser viradas para fora, abotoadas ou presas por alfinetes (sobrecasaca), seguidas pela inserção de barbatanas e finalmente pela sua eliminação, originando o fraque adotado por Luís XIV, universalizando assim o seu uso.
O cabelo da frente passou a ser penteado para trás, formando topetes e impedindo o uso do tricórnio (chapéu de três bicos), que passou a ser levado na mão ou sob o braço.
O traje completo incluía bengala e espada, sendo o uso da última proibida para lacaios, criados, aprendizes, músicos e cozinheiros.
As mudanças dos trajes femininos foram bem maiores que dos masculinos e as mais significativas estiveram ligadas ao tamanho e forma das anquinhas e dos penteados.
Inicialmente, os vestidos voltaram a ser usados com anquinhas tomando forma de sino, muito amplos e usados com espartilho. Após a morte de Luiz XIV, as damas passaram a usar sobrevestes amplas, sem contornos na cintura, como os contouches , o robe ronde e vários tipos de guarda-pós e roupões.
O laço do cabelo deu lugar a um penteado simples, mas com cachos para as mulheres elegantes, enquanto aquelas da classe média inventaram um sem número de gorros e toucas.
Por volta de 1772, a desproporção entre os altos penteados e o quadril estreito desagradou Maria Antonieta, que reintroduziu as anquinhas que agora se estendiam apenas lateralmente, com um sistema retrátil, eliminando assim os inconvenientes da passagem por portas e corredores estreitos.
Os penteados continuaram a aumentar, necessitando armações e enchimentos, até que, em 1785, na França, um parto fez que a rainha perdesse grande parte dos cabelos, originando o corte la chevelure à léfant.
• Características predominantes:
Homens:
- simplificação, como redução das perucas, adoção do culote e eliminação das abas frontais dos casacos (le frac);
Mulheres:
- exagero na altura dos penteados e tamanhos das anquinhas ( paniers ), que se estendiam para os lados.
• Modelagens:
Homens:
- fraque: casaco desprovido das abas dianteiras;
- colete (peça de luxo), diminuindo e transformando-se no gilet , sem mangas.
Mulheres:
- manteau : vestido com anquinhas laterais;
- contouches : sobrevestes amplas, sem contornos na cintura e abertos frontalmente;
- vários tipos de guarda-pós e roupões;
- robe ronde : traje aberto da cintura para baixo;
- caracos : trajes similares às jaquetas;
- espartilho fechado nas costas;
- paniers (enchimentos laterais sobre os quadris), seguidos das anáguas (enchimento uniforme em torno da cintura), substituído ainda pelo cul de Paris (enchimento sobre o dorso).
• Cores: liberdade de uso das cores.
• Tecidos: brocados, veludos, sedas misturadas com algodão, renda, renda sobre o tule ( Bruxelas ), acolchoados (matelassê).
• Adereços:
Homens:
- lenço amarrado atrás e enfeitado com alfinete de diamante;
- tricórnio: chapéu de três pontas;
- bengala e espada;
- perucas longas penteadas para trás presas (com rabo-de-cavalo ou tranças);
- pequenas bolsas nos cintos;
- pintas artificiais;
- jóias, relógios com correntes e abotoaduras.
Mulheres:
- dormesse: touca usada por mulheres da classe média;
- chapéus para ocasiões informais e toucas, indispensáveis nos trajes de gala;
- armações e enchimentos para os cabelos;
- fichu: tecido branco triangular para cobrir o busto;
- calçados com saltos mais baixos e fivelas;
- leques para recintos fechados e sombrinha para a rua;
- diamantes;
- bolsos escondidos e bolsas, nécessaire para portar perfumes e cosméticos;
- pintas artificiais.
>Filmes sobre o tema: “Ligações perigosas” e “Amadeus”.
Revolução Francesa
_Durante o Reinado do Terror (1789-1799), quando o Terceiro Estado aboliu a distinção de classes, a aristocracia horrorizada abandonou todos os ornamentos, armações e jóias e passou a se vestir de maneira mais despojada possível.
_Os trajes agora imitavam aqueles dos operários, escravos de galé (prisioneiros que trabalhavam nos porões dos navios) e até mesmo dos modelos gregos, como o quitão. Os tecidos eram de cor cinza ou branco, finos e com malhas justas, cor-da-pele por baixo. Para as mulheres, somente o xale e a fita que usavam na cintura eram coloridos. Os sapatos não tinham salto e os cabelos eram usados bem curtos de aparência mais natural.

_Surge um sem número de casacas, com alterações nas abas, comprimentos e abotoamento. A Revolução põe as botas em evidência, que por um bom tempo foram usadas pela classe média. Os calções são compridos e tão justos que passam a ser tricotados. Por volta de 1810, introduzem-se as pantalons (calças) largas.
• Características predominantes: simplicidade, despojamento de todo o supérfulo, inspirações gregas.
• Modelagens:
Homens:
- jaquetas curtas ( carmagnole);
- pantalonas;
- vários tipos de casacos, predominando a simplicidade.
Mulheres:
- túnicas: costume à la sauvage .
• Cores: azul, cinza e branco.
• Tecidos: espessura fina, malha para as roupas de baixo e linho azul para as pantalons .
• Adereços:
Homens:
- gorro vermelho;
- sandálias seguidas de botas.
Mulheres:
- turbantes sobre cabelos curtos.
>Filmes sobre o tema: “Rainha Margot”, “Danton”, “Casanova e a revolução”, “História de duas cidades” e “Os miseráveis”.
Século XIX
Período Império
Após a revolução Francesa, a moda retornou às origens republicanas da Antigüidade, com o classicismo e grecomania, o chamado “Estilo Directório”.
Enquanto a Inglaterra já possuía maquinário para a fabricação de tecidos, a França ainda utilizava teares manuais. Napoleão pribiu a importação e deu incentivos para a implantação da indústria têxtil naquele país.

De qualquer forma, a vestimenta feminina adotada era bastante simples. Os chemises tinham a cintura elevada até embaixo dos seios, com decotes redondos ou quadrados, amplamente descobertos e guarnecidos por rendas As mangas eram curtas ou até o cotovelo em formas bem diversificadas. A junção entre a saia e o curtíssimo corpete era feita por meio de uma passamanaria escondida, franja ou fita.
• Características predominantes: inspirações clássicas e gregas para as mulheres.
• Modelagens:
Homens :
- calções tricotados muito justos;
- casaca com corte reto na altura da cintura na frente e com abas longa atrás;
- coletes com abas;
- pantalons (após 1810) bem mais largas;
- garrick : casaco comprido com várias capas nos ombros.
Muheres:
- chemise: vestido finíssimo, transparente, com cintura embaixo dos seios e caldas muito longas (posteriormente mantidas mas como peças à parte);
- combinações;
- túnicas coloridas e bordadas (mais pesadas para o inverno) que deixavam entrever o chemise.
• Cores: branco, preto, vermelho, azul, verde, cores claras para os chemises e ouro e prata para os bordados.
• Tecidos: linhos, brocados, veludos, rendas, crepes, caxemiras, tefetás, sedas e musselinas.
• Adereços:
Homens:
- chapéus de copa redonda e abas laterais dobradas;
- botas altas.
Mulheres:
- penteados a grega com um festão emplumado;
- turbantes e vários tipos de chapéus e toucas com materiais que vão da palha à rede e às plumas;
- sapatos baixos ou em forma de calçados romanos;
- xales.
>Filme sobre o tema: “Desireé”.
Período Vitoriano
Dois fatos tiveram um profundo efeito no desenvolvimento da moda no século XIX: o “nascimento” da primeira Maison em Paris, quando Worth teve a idéia de apresentar às suas clientes uma coleção vestida por manequins, e a invenção da máquina de costura Singer, que possibilitou a produção em maior escala.
Worth veio a ser o costureiro oficial da imperatriz Eugênia, inaugurando a dinastia dos “ditadores” de moda, que decidem o que as clientes devem vestir. Dentre suas inovações, está a apresentação de duas coleções ao ano, levando ao extremo o luxo e a sofisticação também no ritual de atendimento às clientes, as quais passam a freqüentar o ateliê, ao contrário do que ocorria até então.
Durante a era Vitoriana, o ideal feminino revelado pela moda envelheceu gradativamente, acompanhando a idade da rainha. No início, a mulher se parecia com uma menina: pequena, esguia e infantil. Já em meados do século, torna-se uma dona de casa e eficiente, para finalmente envelhecer, tornando-se um figura opulenta, com altura e peso acima da média e com cintura fina.
Para que a mulher mediana conseguisse essa aparência, foram criados numerosos artifícios, como o espartilho para acinturar, grandes chapéus para aumentar a estatura, etc. O conceito de beleza dessa época valorizava os ombros caídos lembrando a rolha de ma garrafa de champagne (já aberta) cuja modelagem do decote e das mangas acentuavam esse perfil.
Os homens também acompanharam essa tendência, envelhecendo ao longo desse século junto com seu inspirador (o príncipe Albert), cujo modelo ideal deixava de ser magro para tornar-se grande e maduro. As roupas masculinas ressaltavam uma aparência exagerada e austera, com modelos folgados, cores escuras, e uso de símbolos ligados à masculinidade,como a barba e a bengala.
O movimento Dândi sugiu nessa mesma época no meio acadêmico de Oxford, seguindo a filosofia da “arte pela arte”, onde a estética cultuada em todas as suas formas de expressão. O perfil de seus seguidores era do intelectual “almofadinha” e ocioso, onde a diversão e a imoralidade eram ilimitadas. Símbolos como cabelos longos e coletes de veludo compunham o visual blasé dos seguidores desse movimento, que teve em Oscar Wilde um dos seus maiores expoentes.
• Características predominantes: o desenvolvimento da moda se dá como o crescimento do indivíduo, com infância, adolescência e maturidade.
• Modelagens:
Homens:
- início do século: casacos elegantes e calças justas;
- meados do século em diante: casacos e calças folgadas para sugerir ou acomodar excesso de peso.
Mulheres:
- início do século: trajes cheios com babados, magas balas e peitos suprimidos ou encobertos por decote;
- meados do século em diante: curvas acentuadas, revelando o espartilho, saias com pregas e debruns até o chão, com crinolina (tecido resistente, próprio para forro) aramada e anáguas franzidas por baixo.
• Cores: com o passar do século, as cores foram ficando mais fortes e escuras.
• Tecidos: ficaram gradativamente mais pesados.
• Adereços:
Homens:
- início do século: gravatas coloridas e sapatilhas baixas;
- meados do século em diante: botas com saltos consideráveis, cartola alta, bengala ou guarda-chuva fechado em público, além do bigode e, posteriormente, a barba, produzindo em ar de maturidade.
Mulheres:
- início do século: fitas, pompons, chapéus grandes e folgados sobre os cabelos cacheados;
- meados do século: meias compridas, chapéus que desciam e fechavam sobre o rosto, cabelo repartido ao meio e puxado para trás;
- final do século: botas e soltos altos, penteados altos e estufados e imensos chapéus para aumentar o tamanho da mulher mediana.
>Filme sobre o tema: “Mrs. Brown”, “Sinfonia inesquecível” e “O retrato de Dorian Gray”.
Século XX
Década de 10
> Belle Époque
O século XX se inicia em meio às flores estilo Liberty espalhadas por toda parte. A mulher continua a usar o espartilho - a famosa linha “S”, que destaca o seio e o quadril – verdadeiro suplicio.

Envolve-se em cascatas de rendas, pérolas e mais pérolas, vestidos bordados de flores, enormes chapéus, penas, plumas e mãos enluvadas. Umas das características mais marcantes desse século é a rápida evolução em todas as áreas.
Poiret, costureiro de destaque, libertou a mulher do espartilho, em 1904, inserindo inúmeras inovações. Deu início a uma nova imagem de costureiro, lançando seu próprio perfume, o “Rosine”. Viajou muito, levando sua moda a outros países, acompanhado por sua coleção de croquis em aquarelas. Por um lado, ditou a moda para ambos os sexos, e por outro, propiciou a sua democratização por meio da publicação de figurinos.
• Características predominantes: silhueta império, orientalismo e modelos vaporosos.
• Modelagens:
Homens:
- calças retas, sem dobras;
- calças estilo golf;
- coletes de tricô ou em tecido com abotoamento duplo;
- terno de três peças;
- variedade de sobretudos.
Mulheres:
- cintura alta;
- calças turcas;
- saias afuniladas fourreau;
- quimono.
• Cores: tons fortes de vermelho, castanho intenso, rosa vibrante, verde e amarelo.
• Tecidos: sedas, brocados, veludos e lamê para as mulheres; xadrez e risca de giz para os homens.
• Adereços:
Homens:
- chapéu de palha no verão e feltro no inverno;
- gravata em forma de laço;
- bengala;
- luvas.
Mulheres:
- adornos confeccionados em pele;
- turbantes com egrets bordados;
- florais naïf;
- sombrinha.
>Filmes sobre o tema: “My fairy lady”, “Moulin rouge” e “Titanic”.
Anos de Guerra (1914 – 1918)
A moda de certo modo parou, mas se deixou sentir ao acompanhar a mulher em suas novas funções. Dentro de uma situação difícil e de meios escassos, as mulheres substiruíram os homens em todas as ocupações.

• Características predominantes: moda austera e funcional, inspirada nos uniformes.
• Modelagens:
Homens:
- camisas brancas com colarinho abotoado;
- cardigans;
- sobretudos retos com abotoamento duplo e bolsos;
- calças amplas e retas;
- uniformes militares.
Mulheres:
- linhas retas e simples;
- saias até o tornozelo e um pouco mais rodadas;
- calças-saia;
- redingote (corruptela de riding coat, “casaco de montaria” – com corte evasê.
• Cores: escuras.
• Tecidos: algodão bastante rígido.
• Adereços:
Homens:
- gravatas.
Mulheres:
- “crinolina de guerra” (diversos saiotes engomados acompanhando saia rodada);
- criação do primeiro sutiã (patenteado em 1914 nos EUA por Mary Phelps, segundo Caresse Crosby);
- botas “atacadores”;
- chapéus pequenos;
- elementos de vestuário no estilo militar.
>Filmes sobre o tema: “ 1900” e “Gallipoli”.
Década de 20
_O século XX tinha nascido derrubando conceitos, hábitos e gostos. Uma espécie de loucura tomou conta do pós-guerra, embalada ao som do charleston e do jazz: novos ricos, divertimentos, cantores negros (Josephine Baker), cinema falado, esportes, carros de corrida, cirurgia estética e a ondulação de cabelos (precursora de permanente).
_Os padrões de beleza se inverteram: surgiu a mulher alta e esguia, com ancas estreitas, peitos pequenos e pernas longas. Os homens foram “abandonados” pela alta costura.
> Chanel: aparece com seu novo estilo de mulher esportiva, profissional, ativa e, ao mesmo tempo, elegante de dia e à noite. Seu tailleur seria o equivalente feminino do terno. Suas roupas apresentam tanto o clássico (no uso do tailleur , suas cores e formas) como o barroco (no uso de bijuterias, correntes douradas e camélias na lapela). Transforma tecidos de “ar pobre”, como o jérsei, em vestidos sóbrios e muito elegantes, mais apropriados à vida que ao exibicionismo (Caldas, 1999).
• Características predominantes:
- vestido marinheiro;
- tailleur (conjunto composto por casaco e saia);
- “pretinho” – vestido para todas as ocasiões;
- androginia: calças e traje masculino para mulheres;
- vestidos até o joelho;
- pulôver;
- bronzeamento.
• Cores: preto, branco, cinza e bege.
• Tecidos: tweed, bouclé, tricô e tecidos americanos recém-surgidos da fibra sintética (jérsei).
• Adereços:
- bijuterias (usadas como jóias), correntes douradas;
- sapatos bicolores;
- bolsas matelassê;
- cabelos curtos;
- perfume Chanel nº 5 (dia do seu nascimento);
- batom;
- flores na lapela.
= Madeleine Vionnet : destaca-se vestindo a mulher para as grandes ocasiões. Criadora do uso do tecido em diagonal, que proporciona a ausência de pences e dobras, modelando formas com drapeados: vestidos-escultura (Vincent-Ricard, 1987).
= Elsa Schiaparelli: rival de Chanel, criadora de modelos espirituosos, mas com grande rigor técnico. De originalidade inigualável, esteve intimamente ligada aos movimentos artísticos da época, sobretudo o surrealismo e o cubismo, desenvolvendo peças conjuntamente a Bérard, Cocteau e Dali, como o “chapéu-sapato” e o “vestido-lagosta”. Principais características: rosa-choque, zíper alta costura, botões fantasia, coleções temáticas, tailleurs em tecido masculino e bordados extravagantes (Caldas, 1999).
>Filmes sobre o tema: “O grande Gatsby” e “Bonnie e Clyde”.
Décadas de 30 e 40
Anos de Depressão (1930 – 1945)
Poucas vezes na história da moda foi possível observar uma cisão tão clara entre duas décadas consecutivas. Os efeitos da depressão fizeram-se sentir pela retomada dos valores tradicionais de modo ainda mais intenso que na Primeira Guerra Mundial. A população européia ficou permeável à propaganda nacionalista que prometia uma saída para a crise.

Sob essa ótica, a mulher deveria dedicar-se às tarefas domésticas, ter filhos, ajudar o marido e ser-lhe sempre uma visão agradável. O modelo de mulher emancipada, esportiva e ativa dos anos 20 dá lugar a um mais submisso, conservador e feminino.
O cinema, agora falado, torna-se, em um primeiro momento, um importante difusor de moda para depois começar a lançá-la.
• Características predominantes:
- acentuação da feminilidade;
- uniformidade e simplicidade requintada de linhas;
- maior importância ao esplendor e à opulência da ornamentação;
- para os homens, um vestuário elegantemente descuidado.
• Modelagens:
Homens:
- ternos largos;
- casacos esportivos ou brancos, tipo “oficial de marinha”;
- fraques com gravatas brancas para a noite;
- camisas pólo;
- calças largas.
Mulheres:
- tailleurs;
- cintura na altura natural;
- saias godês ou em forma de sino na altura do joelho ou até a metade do tornozelo ou ainda saias-calças (Schiaparelli);
- blusas e casacos justos com mangas estreitas;
- vestido “princesa” para a tarde e a noite;
- boleros;
- casacos compridos para noite (Schiaparelli);
- casacos de pele (raposas argênteas);
- calções, inicialmente para jogar tênis e depois para o dia.
• Cores: estampados com padrões de flores, pois, ou lisos em tons discretos, azul e negro para todas e tons pastéis para as “divas”, além de estampas criadas por pintores famosos para grandes costureiros.
• Tecidos: crepe-da-China, malha de seda, primeiros tecidos sintéticos, como stretch ou látex, bases artificiais, como o rayon .
• Adereços:
- flores e laços nos decotes;
- maquiagem discreta;
- chapéus pequenos com a fonte livre;
- echarpes, manteletes (pequenas capas, leves como rendas para senhoras), com golinha de veludo fechada no pescoço;
- óculos.
Segunda Guerra Mundial
_Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, as linhas já tinham se simplificado consideravelmente, adquirindo um ar mais severo com forte influência dos modelos militares. Os modelos eram mais justos, devido ao racionamento de tecidos. Os chapéus, porém, tornaram-se mais criativos, pois as mulheres viram-se obrigadas a improvisar para compensar a falta de materiais.
_A Alta Costura tinha se estagnado. Desde a depressão, muitas das grandes casa francesas tinham fechado as portas, enquanto outras conseguiram se adaptar e sobreviver às dificuldades da época. Com a guerra, a situação agrava-se e alguns dos estilistas remanescentes emigraram da Europa para a América.
• Características predominantes:
- linha mais angular;
- ar mais severo;
- influência militar;
- duas peças (possibilitando várias combinações).
• Modelagens:
- saias mais curtas (até o joelho) e mais justas, às vezes, com pregas e fendas;
- casacos compridos com ombros largos, bolsos e cinto;
- abandono das golas nos casacos femininos e masculinos;
- vestidos mais curtos, mais justos e menos extravagantes, às vezes confeccionados com dois tecidos de cores diversas;
- suéteres.
• Tecidos: introdução de tecidos pesados como o tweed, viscose.
• Adereços:
- chapéus criativos e turbantes;
- meias de lã;
- sapatos com solas robustas (para facilitar locomoções nos bombardeios e filas para abastecimento).
>Filmes sobre o tema: “A lista de Schlinder”, “A vida é bela”, “Caberet”, “O anjo azul”, e “Gilda”.
Décadas de 40 e 50
O “New Look”
_Em 1947, Christian Dior revolucionou a moda na Europa com sua primeira coleção de Alta Costura, à qual a imprensa americana chamou de New Look . Era uma linha feminina, cheia de luxo e glamour, que veio de encontro aos anseios de quem tinha sobrevivido à guerra e queria se esquecer da miséria e da destruição dos anos anteriores.
_Inspirada no século XIX, o perfil da mulher para o New Look era aquela que se ocupava da imagem e vivia cercada de luxo. Para confeccionar seus modelos, eram necessários muitos metros de tecidos trabalhados e caros. Essa época foi marcada pela volta das grandes toilletes e pela invenção do vestido de cocktail : mais fino que o vestido de dia e menos formal que a toillete.
_Para a mulher comum, existiam versões acessíveis graças aos novos tecidos sintéticos e estampas no lugar dos bordados. Para o dia-a-dia continuavam em voga os tailleus e vestidos muito justos, até o meia da perna, às vezes, plissados ou com material enrugado, mangas compridas ou três quartos, e para o verão, sem mangas e decotados. Só os vestidos de noite e os cocktail permitiam ombros nus. No final da década, as saias passaram a ser menos rodadas e mais justas.
_Os homens, logo após a guerra, geralmente usavam uniformes velhos transformados em trajes civis. Para o dia, as regras formais não tinham peso, admitindo o uso de calça e casaca em tecidos diferentes, combinados com uma camisa branca e gravata estreita.
• Características predominantes:
- linhas femininas muito luxuosas;
- saias muito rodadas, com cintura de vespa e ancas acentuadas, ombros naturais;
- como foi amplamente imitado, Dior criou um novo modelo com corte extremamente justo, o oposto do que havia proposto na sua primeira coleção.
• Modelagens:
Homens:
- uniformes reformados seguidos da linha “V” (ombros largos e cintura estreita);
- camisa branca;
- sobretudo;
- calções e bermudas na praia ou no jardim.
Mulheres:
- vestidos e saias muito rodadas até o meio da perna ou até o chão;
- corpetes justos com barbatanas “tomara-que-caia”;
- ombros arredondados e caídos;
- basques com enchimentos;
- tailleurs;
- twinset (conjunto de cardigã e suéter de tricô – década de 30);
- calça corsário e cagarette;
- roupas de banho com pernas e, às vezes, saia;
- babydoll para dormir.
• Cores: escuras no inverno.
• Tecidos: lã, algodão, tecidos sintéticos ( nylon ou perlon ).
• Adereços:
Homens:
- gravatas estreitas e simples na Europa e fantasiosas nos EUA;
- chapéus.
Mulheres:
- chapéus de vários tipos e tamanhos;
- estolas e luvas;
- bolsas e sapatos combinados;
- escarpins;
- spray de cabelos;
- sutiã pontudos e cintas;
- pérolas.
>Filmes sobre o tema: “Funny face”, “Um verão em Roma”, e “Os homens preferem as loiras”.
> Cultura Jovem
_Nos anos 50, alguns grupos bem distintos começaram a se insurgir contra os valores burgueses. De um lado, os existencialistas seguidores de Jean Paul Sartre, Simone Beauvoir e Albert Camus e de outro, influenciados pelos pelo jazz, surgiram os boêmios de São Francisco, conhecidos como beatnicks , e os jovens influenciados pelo rock and roll , liderado por Elvis Presley, ou pelo cinema, através de James Dean, Sophia Loren ou Brigitte Bardot, na versão “inocente rebelde”. Os trajes eram tão diferentes quanto as motivações que levavam os dois grupos a contestarem a acumulação de riqueza, o supostamente correto e a banalidade de mundo pequeno-burguês. Enquanto os existencialistas usavam vestuário preto de sóbria elegância, os fãs de Elvis vestiam roupas de couros fortes e brilhantes.
_Nesta época, a calça jeans também surge como um símbolo de rebeldia, quer pela sua origem (inicialmente usada no trabalho), quer por sugerir liberdade e masculinidade.
_Houve ainda mais dois grupos de protesto: os New Edwardians, de origem burguesa, e os Teddy Boys, oriundos da classe operária.
>Filmes sobre o tema: “Fúria de viver” e “Um bonde chamado desejo”.
Década de 60
Nos anos 60, a primeira geração do pós-guerra estava ficando adulta e, por isso, a moda oferecia o que havia de melhor para a juventude e o culto a ela tornava-se modelo absoluto no domínio da moda. Esta perdia seu caráter elitista para tornar-se um fenômeno de massa e juventude e expressar pontos de vista políticos e comportamentais.
A comercialização da pílula, os movimentos estudantis, a televisão, a primeira viagem espacial, a pop-art , a op-art e a música foram fatos que influenciaram decisivamente a moda dos anos 60 e explicam a multiplicidade de movimentos e tendências surgidas nessa época.

A mulher tornava-se sexualmente livre; de um lado, surgem as primeiras mini-saias, as transparências e a androginia, influenciadas pela pop-art ; de outro, a interpretação mais livre do movimento hippie , com seus trajes que remetiam a outras épocas ou outras culturas. A música fornecia ícones a todas essas tendências; desde Beatles e Rolling Stones até Dylan, Hendrix e Janis Joplin, para aqueles jovens politicamente engajados. Mais tarde, a chegada à Lua impulsiona a moda futurista, com seus tecidos sintéticos e o uso de materiais inusitados, como o plástico e o metal.
Enquanto as mulheres ocultavam as linhas femininas (Jacqueline Kennedy – ícone de Cassini), os homens faziam o oposto, além de deixarem os cabelos mais compridos. Seus trajes agora eram justos, as camisas tinham gola alta (cacharrel) e as gravatas, quando usadas, eram mais extravagantes. Os casacos perderam as lapelas e ganharam zíperes, enquanto as cinturas das calças ficavam mais baixas e as bocas mais largas. As calças jeans e as camisas pólo eram os trajes de lazer.
A moda tornara-se um produto de uso diário, vendida ao desbarato nas grandes lojas, que se comprava rapidamente, consumia-se mais depressa ainda e se descartava com facilidade. A oferta reagiu de duas maneiras: enquanto uns fechavam as portas (como Balenciaga), outros inovavam, oferecendo coleções prêt-à-porter, compra por catálogos ou ainda expandindo sua linha de produtos, criando perfumes, óculos, relógios, etc.
É a década de novos termos, como: street style, prêt-à-porter, top-models, boutiques e “criadores de moda”, que sintetizavam toda uma revolução comportamental.
= Mary Quant. Apontada como a criadora da minissaia, muito embora ela própria atribua sua origem à rua. Desde o início, busca ali sua inspiração sem abdicar da tradição inglesa de confecção, captava facilmente os sinais de seu tempo, criando trajes indistintamente para o dia ou para a noite, apresentando minissaias, meias-calças e até maquiagem, durante o ano todo.
= Courrèges, Paco Rabane e Pierre Cardin. Influenciados pela ficção científica dos livros e filmes dos beatnicks, estes três estilistas introduziram na moda elementos de visões utópicas e tecnológicas do mundo. Vestidos geométricos e curtos, tecidos pouco maleáveis, casacos de couro, botas brancas e chapéus que lembravam capacetes de astronautas, perucas de cabelo liso em cores metálicas marcaram presença em suas coleções. Com suas formas simples, cores gélidas, como o branco, azul-gelo, rosa, e materiais não convencionais, como o plástico transparente, o PVC, o metal e o vinil, entre outros, conferiam às coleções um aspecto futurista, sugerindo às pessoas estarem vivendo na era espacial.
= Barbara Hulanicki (Biba) e Laura Ashley. Inspiradas no movimento hippie , essas duas estilistas desenvolveram coleções de aspecto romântico e nostálgico, por vezes de inspiração exótica, seus vestidos eram confeccionados em tecidos com padrões florais, compridos e de mangas largas, para serem combinados com tiras de veludo no pescoço e cabelos encaracolados.
= Yves Saint Laurent. Após seu rompimento com a casa Dior, Saint Laurent resolveu criar seu próprio nome e tornou-se um revolucionário da moda parnesiense, enriqucendo as tendências da Alta Costura com aquelas colhidas nas ruas, como a cultura boêmia da Rive Gauche, mas sem abandonar seus clientes abastados. Passa a apresentar as criações mais importantes dos anos 60: vestidos com padrão Mondrian, o smoking feminino, a coleção influenciada por Andy Warhol e o polêmico vestido transparente em chiffon de seda, além de seus casacos compridos de lã felpuda, jaquetão, batas em jérsei e seda, bombachas, chemisiers transparentes em jérsei e seda, pantalonas, conjuntos safári, macacões, etc.
>Filmes sobre o tema: “Hair” e “Seriado televisivo: Anos incríveis”.
Década de 70
_Os anos 70 caracterizam-se por uma politização muito forte do público, impulsionada pelas camadas mais jovens. Problemas globais, como a Guerra Fria, a corrida armamentista e a ecologia fizeram com que as revoltas estudantis de 1968 assumissem dimensões mundiais.
Surgiram inúmeras tentativas de encontrar alternativas às formas tradicionais de vida, como as drogas, o amor livre, as comunidades alternativas e o movimento feminista.
_O movimento hippie , com seu vestuário ecologicamente consciente e anticonformista, exerceu uma influência indiscutível. Tudo o que remetesse a uma época mais simples e supostamente melhor era muito apreciado. Isto explicou a retomada de técnicas artesanais, como o tricô, o crochê e o patchwork, e de modelos de épocas remotas ou outras culturas. O resultado foi uma colorida mistura de estilos, sem um estilo de fato definido, confirmado nas palavras de Jean Paul Gaultier: “Tudo é permitido, não tenho nenhum a priori... A roupa de cada um, e a maneira de usá-la, mostra a visão que se tem do mundo.”
_Ao contrário de Gaultier, Armani, Kenzo e outros jovens estilistas que se adaptaram facilmente às rápidas e freqüentes mudanças, muitos ateliês não conseguiram fazer o mesmo e se viram obrigados a fechar. Reafirmaram-se os conceitos de griffe (do francês: garra) ligando os produtos à assinatura do criador e de básico, como uma reação à multiplicidade de estilos (Palomino, 2002). A comercialização de adereços (perfumes, acessórios e objetos para o lar) tornou-se fonte alternativa de financiamento para as próprias grifes.
• Características predominantes:
- inexistência de um estilo único;
- moda como expressão política e maneira de ver o mundo;
- descontração, retorno a outras épocas e culturas (modelagens largas e sobreposições);
- uso de peças produzidas artesanalmente, fibras naturais;
- obsessão pela magreza;
- influência dos movimentos musicais (discoteca e glan rock – David Bowie).
• Modelagens:
Homens:
- casacos compridos com lapelas largas;
- calças boca-de-sino;
- camisas com colarinho comprido.
Mulheres:
- saias “micro”, “midi” e “maxi”(com opção de short por baixo e modelagem evasê de quatro panos ou franzida);
- corpetes justos com barbatanas, casaquinhos curtos (à avozinha) ou com capuz (parkas);
- casacos compridos;
- mangas-morcego, bufantes e boca-de-sino;
- vestidos de lurex para a noite;
- calças boca-de-sino.
• Cores: combinações de marrom com verde ou laranja, berinjela.
• Tecidos: malha, tricô, jérsei, tweed, plush, falsas peles, veludo cotelê, crepe georgette, tecidos xadrezes, estampas florais e indianas, lurez para a noite.
• Adereços:
Homens:
- cabelos compridos;
- botinas de salto alto;
- cachecol de lã muito comprido.
Mulheres:
- gorros de crochê;
- lenços indianos;
- perfume “Ópium”;
- bijuterias em prata (estilo indiano);
- sapatos plataforma e tamancos de forma quadrada (solado em cortiça e madeira);
- óculos grandes com armações e até lentes coloridas;
- cabelos compridos com ar natural ( brushing ou afro look).
= Movimento Punk: surgiu em Londres como uma outra forma de expressão dos anos 70. Ao contrário dos hippies , os punks , filhos da classe operária, não procuravam fugas ou alternativas, mas confrontavam e revoltavam-se contra a falta de perspectivas, demonstrando esse sentimento nos trajes rasgados, casacos de couro preto com tachas de metal, coturnos, grilhões, alfinetes na pele, tatuagens, maquiagem berrante, cabelos coloridos e cortes inusitados.
= Viviene Westwood: popularizou esse estilo, que acabou transformando-se em moda.
>Filmes sobre o tema: “Grease: os tempos da brilhantina”, “Laranja mecânica” e “Jesus Cristo Superstar”.
Década de 80
_Os anos 80 foram marcados pela idéia de que tudo era possível; desde “esculpir o corpo” (à custa de muita aeróbica, musculação e dieta) até atingir o topo da carreira profissional ( dress for sucess). A incorporação de elementos de diferentes origens, montados de uma forma inusitada gerando algo extremamente moderno, também foi uma característica digna de nota dessa década.
_Maddona, sem dúvida, é a melhor representante de todos esses conceitos à medida que aglutina a imagem musculosa e ambiciosa, empregando conscientemente o erotismo e o glamour pelo uso de elementos que vão do fetichismo a Marylin Monroe.
_Inicialmente, a influência de seu estilo bad girl voltado ao seu público “ disk-music” chega a transformar o estilo punk em moda comercial, claramente contrário ao caráter de protesto desse movimento.
_A devoção ao fitness contribuiu para introduzir toda uma linha de elementos esportivos. Calças de lycras coloridas e brilhantes, collants ou body super justos, faixas para a testa, etc., inicialmente restritos às academias , influenciaram a moda do dia-a-dia. Na praia, desfilavam asas-delta e minúsculos fios-dentais.
_O sucesso alcançado à custa de ambição e persistência refletiu-se também no ambiente de trabalho da mulher. Ali, ela deveria demonstrar poder, e o vestuário adequado a esse fim era aquele que escondia a sua sexualidade ou, ainda, que lhe emprestava características genuinamente masculinas, como foi o caso dos crecentes enchimentos nos ombros. Além disso, ela deveria ter uma elegância simples e funcional, pois era a sua competência que devia ser admirada.
_Os homens, por sua vez, foram influenciados por estrelas da música que cultivavam um estilo de ambigüidade sexual (como Prince, Michael Jackson e Boy George) e por séries de TV, como Miami Vice . O resultado foi um relaxamento do vestuário formal de trabalho com a introdução de tons pastéis nos guarda-roupas masculinos e o uso de camisetas com ternos (Versace) conferindo-lhes um ar moderno e sexy.
_Os jovens profissionais bem-sucedidos (de ambos os sexos) espelham seu enriquecimento e poder através da aparência, tornando-se os fashion victins . Um grupo em particular, aquele dos jovens investidores de sucesso de Wall Street, acabou dando origem a uma nova tripo: os yuppies .
_Pela primeira vez, coexistiram várias tribos, como os punks, new wavers, skinheads, rappers e góticos, fortemente influenciados pleos movimentos musicais.
_Paralelamente, na França, um grupo de estilistas japoneses (como Kenzo, Issey Miyake, Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo) lançou uma moda bastante conceitual, batizada de “pauperismo” (moda baseada nos mendigos), inspiradas em quimonos e trajes orientais, valendo-se das novas tecnologias têxteis para desestruturar drasticamente a silhueta pelo emprego de formas amplas, plissados e assimetrias.
• Características predominantes:
- culto ao corpo;
- imagem de sucesso pessoal e profissional;
- “pauperismo”;
- avanço da pesquisa têxtil;
- surgimento das top-models seguidas pelas supermodels;
- diferenciação de trajes para o trabalho, para o lazer e para a noite.
• Modelagens:
Homens:
- modelos confortáveis;
- uso de camisetas com ternos.
Mulheres:
- trajes esportivos para o lazer;
- para o trabalho, blazers compridos e claros com enchimento nos ombros;
- tailleurs com saia justa ou com pregas na altura do joelho;
- para a noite, trajes justíssimos, saias com fendas e corpetes aderentes.
• Cores: vibrantes e brilhantes para o lazer, discretas para o trabalho e tons suaves para camisetas dos homens; cartela de pretos, “quase-pretos” e “não-cores” pelos japoneses.
• Tecidos: lycra para o esporte, tecidos maleáveis, como a malha, o linho, sedas pesadas, confortáveis e brilhantes para a noite.
• Adereços:
Homens:
- cabelos não muito curtos e bem penteados.
Mulheres:
- sapatos de salto para o trabalho, tênis para o esporte e saltos bem altos para a noite;
- cabelos encaracolados ou preferivelmante louros e bem penteados.
> Filme sobre o tema: “Nove e meia semanas de amor”. Séries televisivas: “ Dallas ” e “ Dinastia ”.
Década de 90
_Enquanto o mundo ficava menor através da comunicação, a moda tornava-se mais internacionalizada. A percepção foi determinada por idéias que misturavam realidade virtual com o mundo real. Os intervalos entre os ciclos foram cada vez mais curtos, como num vídeo-clip ou num site . Conseqüentemente, não se produziu um perfil novo, mas uma série de variações de silhuetas e estilos já conhecidos.
_De um lado, a moda tornou-se menos rigorosa em relação às regras de etiqueta, e de outro bastante rígida nas diferenças etárias e socioeconômicas, explicando a formação de tribos, como girlies e nova modéstia . A primeira, de inspiração nos anos 70, com roupas apropriadas às jovens (cinturas baixas, tatuagens, piercings ), e a segunda, ao público menos jovem e de alto poder aquisitivo, admirador de roupas com visual simples, mas de grife, caracterizando um falso despojamento.
_A geração de jovens dos anos 70, que agora está adulta e profissional, já usou esse estilo e recusa-se a adotá-lo novamente. Hoje, essas mulheres usam tailleurs ou os consagrados terninhos, agora confeccionados em material um pouco elástico e muito confortáveis, em cores neutras, lisos ou com padrões discretos.
_Em contraposição aos exageros dos anos 80, surgiram interpretações como o minimalismo, encabeçado por Helmut Lang e Calvin Klein, caracterizado por cortes retos e linhas simples, e o movimento grunge , inspirado no rock de grupos como Nirvana e Pearl Jam, valorizando o individualismo e a diversidade.
_A prosperidade das economias asiáticas e norte-americanas abriu mercado para a moda de luxo ( luxury brands ) e a logomania.
> Filme sobre o tema: “Beleza Americana”. Seriado televisivo: “ Friends”.
Tribos
_A partir dos anos 50, a música tornou-se um aglutinador de jovens que decidem por si mesmos aquilo que vão usar, criando os chamados teenage styles que, muitas vezes, passam a influenciar a moda das passarelas, determinando um caminho inverso daquele percorrido até então. Os códigos utilizados e transmitidos pelos trajes, penteados, maquiagem, adornos, música e até linguagem (gírias) têm a função de demarcar e identificar os grupos e subgrupos.
_A seguir são apresentadas algumas dessas “tribos” que se formaram durante as décadas de 50, 60, 70, 80 e 90 e que permanecem “vivas” até hoje.
= B. Boys: (final da década de 80, na Inglaterra) – este nome é dado aos jovens negros norte-americanos associados ao Rap e Hip Hop . O prefixo “B.” tem vários significados e interpretações: Bad, Break, Beat (mau, libertar, batida, que também remete aos beatniks ). O nome surgiu para uso comum quando foram lançados os discos Beatsie Boys e Rum DMC .
Características: embora haja diversas formas de interpretação, uma constante é sua ligação com roupas esportivas de marca, bonés de beisebol, bijuterias, e muitas vezes o uso de ouro e botas de couro.
= Beatniks: (anos 50, em São Francisco , Nova Iorque e Londres) – nome dado a um grupo de músicos amadores e boêmios de jazz . O nome e a inspiração originam-se de um movimento de escritores de poemas, beat poets (beat do inglês: batida, percussão) apresentados por Jack Kerouac e Allan Ginsberg, influenciados por existencialistas franceses e pelas idéias de vanguarda, surgiu durante a Guerra da Coréia com espírito contestatório, refugiando-se numa falsa beatitude no seio da sociedade de consumo norte-americana.
Características: apropriam-se do linguajar dos negros do jazz , a moda funcional dos operários e o estilo de vida dos intelectuais: jaqueta de couro com forro de pele de carneiro ( steerhide ), camisa xadrez com camiseta branca por baixo e calça de algodão, botas do exército, conferindo um visual desleixado. Para as mulheres, trajes pretos, leotarde (macacão com malha, inteiriço), sapatilhas de balé e cabelos compridos.
= Ciberpunk: estilo punk mesclado à ficção científica – inspirado nos filmes apocalípticos, como Mad Max (1, 2 e 3) e Blade Runner , combinando fantasia futurística com techno-fetichismo.
Características: uso de couro preto, borracha e PVC misturados a acessórios industrializados com cabos, circuitos eletrônicos, demonstrando uma fascinação pela tecnologia.
= Eco: (anos 70) – prefixo que associa ao meio ambiente. No século XX, o mundo adquiriu essa nova consciência, passando a ter atitudes e atividades ligadas ao meio ambiente.
Características: aspecto rústico, onde as cores provêm da natureza (cru, musgos, marrons, cáquis) – esse movimento identifica-se mais facilmente pelos materiais usados, como o algodão, o linho, o cânhamo, o rami, etc. e com modelagens que não se prendem às tendências, mas ao conforto e aos materiais naturais. Os reciclados passam a integrar o leque de matérias-primas utilizadas nos tecidos fabricados com fibras de garrafas PET, com o objetivo de racionalizar o uso de recursos naturais. A evolução prevista para os adeptos desse movimento é a demanda cada vez mais consciente, tanto do ponto de vista ecológico (racionalização de recursos, matérias-primas, processos de fabricação, etc.) como do ponto de vista ético (contrário à exploração de mão-de-obra infantil, etc.).
= Funk: (anos 70, nos EUA) – dança negra norte-americana dos anos 70, associada a uma política radical racial ligada ao renascimento de uma nova consciência negra americana. Atravessou o oceano conquistou a audiência branca, particularmente na Inglaterra.
Características: estilo escandaloso e ostensivo: sapatos plataforma, macacões de cetim e lamé , bijuterias enormes e maquiagem brilhante.
= Girlies: (anos 90) – estilo influenciado pelos canais de música (MTV) e séries de TV para jovens, inspirados nos anos 70.
Características: saias curtas ou calças justas com bocas-de-sino e cintura baixa, camisetas justas e curtas, revelando tatuagens e piercings, e vestidos tipo lingerie com sapatos quadrados plataforma ou tamancos. Cabelos não muito compridos, descoloridos ou em tons vermelhos com ar descontraído.
= Grunge: (final dos anos 80, no Reino Unido) – nome dado pela imprensa a pequenas bandas de futuro promissor que se apresentaram por volta de 1987/88, mas acabaram tendo uma curta existência. A palavra refere-se verdadeiramente aos seguidores dessas bandas. O movimento que pretende contrapor uma feminilidade juvenil e individualista àquela despersonalizada dos anos 80 chegou a ser coibido pelo presidente Clinton nos EUA, devido à apologia às drogas.
Características: o estilo grunge, ou melhor, o antiestilo, é uma combinação de roupas usadas (macacões, jaquetas) com jeans desbotados, vestidos leves de florzinhas e botas pesadas estilo militar. Usam ainda camisa xadrez, jaquetas de couro desgastadas e cabelos compridos emaranhados.
= Hippies:
= Nova modéstia: estilo que encontra paralelo nos dândis do século XIX, reservado aos amantes abastados de moda, mas caracterizando-se por um aspecto de pobreza aparente, despojada de qualquer suntuosidade ou glamour, representando na verdade o oposto, ante a ostentação de grifes.
Características: confeccionadas nos materiais mais nobres e de tal forma trabalhosa e cara, que suas qualidades revelam-se somente quando são tocadas ou vestidas, dando a idéia que somente pessoas com gosto tão refinado e alto poder aquisitivo podem se dar ao luxo de vestir produtos tão conceituados e tão pouco vistosos. As transparências ficam reservadas aos mais jovens, mas os adultos podem usar um ou outra peça.
= Punk:
=Rave: (década de 80) – sinônimo de acid house: grandes armazéns, que se popularizaram durante os anos 80, onde uma grande concentração de jovens se reunia para dançar até o amanhecer movidos pelo ecstasy.
Características: o look associado a esse grupo é ligado ao Club Ibiza, muitas cores ácidas e fosforescentes, materiais sintéticos, plásticos, nylon, peles falsas distribuídas em várias camadas de roupas (lembrando os hippies ).
= Skater: (anos 50, nos EUA) – adolescentes praticantes desse esporte e que posteriormente foram associados aos surfistas em termos de atitudes e estilos de vida.
Características: bermudões gigantes, calças de tamanho maior, joelheiras, cotoveleiras, T-shirt bem largas com estampas relacionadas ao esporte.
= Skinhead: (1967) – grupo de jovens de classe operária, originário do estilo MOD, politicamente ligados à extrema-direita.
Características: resumia-se em camisas abotoadas com colarinhos fechados, jeans Levi´s, mocassim e cabeça raspada.
= Surfer: (décadas de 50 e 90) - termo usado para definir os praticantes desse esporte.
Características: no início, incorporavam camisas havaianas e shorts. Nos anos 90, preferiram o estilo baggy de bermudas e cabelos despenteados. Atualmente, conservam as mesmas características dos skaters, porém com estampas relacionadas ao seu segmento.
= Techno: (final da década de 80, em Detroid) – música computadorizada também inspirada nos anos 70, este movimento é uma combinação eclética de outros movimentos.
Características: junção de elementos que antes pertenciam à moda de uma minoria com outros de origem tecnológica inspirados em webdesign. É quase obrigatório o uso de celulares e notebooks para aqueles na vida profissional.
Análise da Moda Atual
_A história influencia as tendências futuras, os estilistas se inspiraram e continuam a se inspirar em épocas passadas, principalmente em relação aos detalhes e proporções. Costuma-se dizer que há uma “releitura”, que transforma e cria um ar de modernidade, principalmente no quesito matéria-prima, que contempla tecnologias que antes não existiam.
_A partir dos anos 80, este fenômeno de releitura tem norteado muitas coleções. Talvez espelhe uma necessidade de reavaliar o que foi feito, talvez falte coragem suficiente para mudanças radicais. Por este motivo, estas sobreposições de referências desestruturadas demonstram a busca de uma nova proporção, de um novo conceito de estética. Galliano, Gaultier, Dolce e Gabbana, Donatella Versace, Marc Jacobs são exemplos dessa nostalgia de quem participou nos anos 70/80, ou de quem via fotos da mãe e das avós nos anos 40/50/60 e decidiram se inspirar ou reavivar o passado próximo e remoto. Mesmo a valorização do “vintage”, exemplar único de roupas ou peças de brechó, tornaram-se must na moda atual.
_Há também os que recorrem a outras cultuas, folclores ou ambientes específicos, propondo uma temática de fantasia dentro do dia-a-dia, como já fez Galliano com ciganos ou com o mundo circense e outros tantos que já revisitaram varias vezes a África, a Índia, o Marrocos, o Hawai ou a indumentária de cowboys , safáris, militares, etc.
_Alguns têm um estilo tão definido que promovem pequenas alterações em seus produtos, podendo ser uma nova textura ou um detalhe de silhueta, mas nada muito significativo a ponto de alterar sua identidade: Armani, Max Mara, Calvin Klein, entre outros, podem ser incluídos nessa categoria e acabam se tornando “os novos clássicos” da moda.
Para facilitar esta pesquisa, pode-se classificá-la em cinco caminhos distintos:
Retro – épocas passadas;
Cultural - países e folclore (kilt, sarí, etc.);
Ambiental – circense, carnavalesco, náutico, etc.;
Funcional – uniformes de: trabalho, militar, ginástica, balé, equitação, etc.;
Ideológico – ecologia, hippies, punks, dândis, budistas, amish , etc.
_Estas classificações são apenas a titulo de estudo, mas na verdade podem ser interpretadas ou aplicadas em todos os nichos de mercado, sendo este ponto o verdadeiro teste de criatividade de quem a emprega. Neste caso, não é fazer roupa punk para punk vestir, mas usar esse conceito ou detalhes dessa indumentária para fazer uma coleção prêt-à-porter ou então utilizar ícones do circo para fazer uma coleção de alta costura, e assim por diante.
_A decodificação da moda e do que será ou não tendência passa necessariamente pelas grandes revistas nas figura dos editores de moda, que sintetizam os desfiles, agrupando-os, grosso modo, por cores, formas e temas (inspirações), resultando nos editoriais que irão nortear o consumidor final.
_O poder econômico também tem sua parcela de contribuição, pois os maiores anunciantes destas mesmas revistas conseguem, muitas vezes, mesmo trilhando caminhos bem diferenciados, manter a capacidade de influenciar.
_Os fabricantes de matéria-prima, por sua vez, também têm poder de direcionamento, ao proporem seus produtos e cores, com fortes campanhas junto ao mercado através de bureaux , (escritórios de tendências) com seus books , mídia (principalmente impressa) e feiras, que acabam delineando os caminhos a serem seguidos. A exemplo disto, tem-se o poliéster, que sofreu investimento maciço em tecnologia e acabou retornando ao mercado com força total. Em paises como o nosso, onde o calor requer fibras naturais para permitir a transpiração, as sintéticas dominam o mercado.
_Os grandes investimentos feitos em pesquisa de novos materiais acabam se amortizando pelo lançamento de produtos e coleções, muitas vezes patrocinadas pelos próprios fabricantes, a fim de que se tornem tendências.
_Analisando nosso mercado interno, ainda tem-se um fator novo, que é o leque de tendências cada vez menor. Há muito não são apenas as coleções de inverno e de verão que direcionam as tendências. Na verdade, a procura pelo novo é tão afoita, e a concorrência entre os confeccionistas é tão acirrada, que este favor acaba gerando uma quantidade de “novas tendências antecipadas”. O brasileiro conhece bem este fenômeno, a famosa “queima de informações”. Cada vez mais, cria-se “inverno no verão” e vice-versa. Isto é, as cores da próxima estação da Europa ou dos EUA são adaptadas para a estação atual do Brasil, quando não com duas estações de antecedências ou mais.
_Em resumo, misturam-se as estações, décadas e conceitos numa mesma coleção ou numa única peça e mesmo assim há público para tudo. Isto também é um reflexo da nossa época, a tão falada globalização! Foi despejada, mas não absorvida. Está amadurecendo, penetrando, se transformando aos poucos, talvez, num “Euro” (unificação de comum acordo) ou talvez num “Admirável Mundo Novo” (unificação imposta).