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Design e Moda: como agregar valor e diferenciar sua confecção

Carlota Rigueral, IPT, 2002.

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Análise de Tendências

_Depois de lançadas as coleções (primeiro Alta Costura e depois prêt-à-porter ) nos grandes centros de divulgação (Paris/Milão/Londres/Nova Iorque), as informações começam a ser divulgadas via mídia impressa e eletrônica.

 

As informações que nos chegam, na verdade, já são o resultado de uma “triagem” feita pelos editores da moda, a não ser que se tenha o privilégio de ser um dos convidados a vivenciar os desfiles ao vivo... Caso contrário, de uma certa forma, recebe-se informações “selecionadas”. Neste caso, o melhor é procurar informações através de várias outras fontes, para que se possa criar um parecer próprio.

 

Para uma coleta de dados sistemática, o ideal é criar arquivos e subdividi-los em: cores, modelagens, detalhes, estampas (motivos) e matéria-prima. Depois deste arquivo montado (pode ser uma pasta com recortes e anotações ou imagens digitalizadas e arquivadas em computador), pode-se fazer subdivisões dentro de cada tópico principal.

 

As cores podem ser subdivididas por tonalidades, por exemplo, azuis, vermelhos, beges, etc. já as modelagens podem ser subdivididas por tipos, ex: calças, saias, shorts, jaquetas, etc.

 

Os detalhes são os pontos que chamaram ATENÇÃO e não necessariamente a peça inteira, por exemplo, botões, etiquetas, costuras, golas, punhos, bordados, apliques, cintos, fivelas, lapelas, acabamentos, etc. Às vezes, estes detalhe podem tornar-se o “ícone” da coleção. Tudo será montado para a “valorização” do(s) escolhido(s). Como sugestão para separar estes detalhes, se fizerem parte de alguma peça que pertença a outro tópico, propõe-se escanear ou tirar cópia (colorida se for o caso).

 

As estampas servem como orientação de traço, estilo, HARMONIA de cores. Os motivos podem incluir as listras e tudo o que não for liso.

 

A matéria-prima, caso se tenha a possibilidade de fabricar a sua própria, poderá ser subdividida em construções de malhas e tecido plano. No caso de haver necessidade da compra da matéria-prima de fornecedores externos, pode-se utilizar este tópico como orientação, para uma escolha mais consciente do que está sendo tendência.

 

Ressalta-se que esta seleção é feita levando-se em conta o perfil do consumidor final. Com CRIATIVIDADE, pode-se adaptar as tendências respeitando estas características.

 

Este “agrupamento” por tópicos é uma forma de facilitar a visualização e, ao mesmo tempo, conferir a informação que mais se repete entre as grifes. Esta “repetição” tende a ser chamada “tendência”; são os pontos fortes, as inspirações que mais os estilistas enxergaram neste momento. Na verdade, o intuito de cada criador é justamente propor um caminho mais inovador que o outro, mas os editores tentam, e conseguem, agrupar estas linhagens.

 

Na verdade, esta proposta tem a finalidade de oferecer uma orientação para se detectar as correntes mais fortes e adaptá-las ao consumidor, mas não deve ser apenas a única. O importante é que se utilize o resultado desta análise como mais uma fonte de informação. Esta análise pode ser um norte, mas não um paradigma. Utilizando as “ferramentas” adequadas, é possível ter as condições necessárias para propor o caminho próprio de cada um.

 

Atualmente, há tantas linguagens, tantas inspirações, tantas cores, todos os comprimentos... que há espaço mais que suficiente para propor algo novo, sem ser “cópia”. O importante é que este “algo novo” seja feito dentro de um conceito e estrutura para valorizar o caminho escolhido e não se tornar apenas mais um.

 

 

Tendências Futuras

Quando se pensa em futuro, a imaginação é acionada. Imagens cultivadas por filmes ou livros de ficção dando formas e fórmulas.

 

Alguns filmes de ficção têm apresentados interessantes e diversificadas projeções de futuro. Não se pode deixar de atentar aos guarda-roupas criados, selecionando três exemplos bem distintos entre si, mas igualmente admiráveis:

 

= Blade Runner: uma mistura de várias culturas e épocas já sugerindo uma globalização avançada e caótica, como um caldeirão de estilos e materiais. Na verdade, o filme da década de 80 é o que mais se aproxima da tendência atual.

 

= Matrix: uma abordagem mais clean , com roupas minimalistas, assumidamente pretas, elegantes e funcionais.

 

= O Quinto Elemento: interpretação futurista um pouco mais caricata nos figurinos de Jean Paul Gaultier.

 

Para se entender o que poderá ditar ou nortear a “moda”, não se pode olhar apenas para a indumentária, mas sim para tudo que está acontecendo no mundo: os conflitos, as guerras, as descobertas, as mudanças, enfim, tudo o que possa interferir no comportamento de forma mais genérica. Tudo pode influenciar posturas e as interpretações podem ser as mais variadas.

 

Como no caso de “11 de setembro”: houve estilistas que fizeram coleções brancas chamando a atenção para a paz, como Viktor & Rolf – coleção primavera/verão 2001, ou a coleção de inverno 2001, de Reinaldo Lourenço, acoplando bolsas ao corpo, aludindo ao fato das pessoas que não conseguiram encontrar os celulares que tocavam desesperadamente para o diálogo entre os “prisioneiros” do World Trade Center e seus familiares.

 

Já outros trouxeram a cultura mulçumana com suas burkas, colocando em foco a postura feminina sob esta condição; ao mesmo tempo, há coleções em negro com ar pesado, para expressar o lado trágico.

 

Conclusão: existem varias formas de interpretar um mesmo fato como a “crítica” ou a “retratação”, e mesmo dentro desta escolha, muitos são as matrizes. A fotografia pode ter nuanças, filtros que acentuem ou suavizem o que estão retratando. Do mesmo modo, a postura critica pode ser pungente ou irônica.

 

Há também uma terceira atitude, a fuga, que escolhe um caminho que, a principio, pode ser considerado totalmente apático, mas que na verdade é a opção para camuflar ou embelezar algo que está sufocando ou ferindo. O movimento hippie dos anos 70, por exemplo, teve uma atitude contestatória e de fuga simultaneamente. Contestatória na medida em que ia contra tudo aquilo que estava estabelecido. Se os cabelos eram curtos, a moda tornou-os compridos, se o normal era usar sapatos, eles andavam descalços, se a boca das calças era afunilada, passou a ser boca-de-sino e assim por diante. A bandeira da contestação e a quebra de padrões tornaram-se o lema, chegando a virar regra. Por outro lado, a fuga se manifestava no consumo de drogas e na adaptação de vestimentas de outras épocas ou culturas, num tempo ou lugar onde se acreditava ter uma vida melhor. As roupas espelhavam exatamente este comportamento.

 

Estes são apenas alguns exemplos da influência histórica, mas mesmo fatos menores podem refletir um desejo de mudança que acaba sendo projetado e depois absorvido, tornando-se moda. Pode-se observar, por exemplo os filmes, como Moulin Rouge que, a partir de sua exibição, vários estilistas propuseram versões do espartilho. O mesmo acontece com músicas ou com seus intérpretes, como os Beatles, David Bowie, que já foi e agora novamente está sendo inspiração para alguns estilistas, ou a pop Britney Spears, com seus micro tops e saias ou calças baixas. Porém, têm-se também os divulgadores (dos estilistas) que tornam tendência, como: Bonno, do U2, com seus óculos de lentes coloridas, Madonna com o kilt em visual Gaultier , Dido, vestida por D&G, e Jannifer Lopez, por Versace.

 

No Brasil têm-se vários exemplos dos lançadores de “moda”, como os cantores que lançam desde cortes de cabelo até mesmo modelagens especificas, como a linhas country, que teve seu apogeu no final da década de 90. Têm-se também os “garotos-propaganda”, como os jogadores fé futebol, que acabam muitas vezes, por contrato, divulgando e tornando moda algumas marcas nacionais e estrangeiras, como Nike, Diadora, Onbongo, Bad Boy, entre outras.

 

O fenômeno brasileiro de maior importância e que acaba ditando moda ou ditando tendências são as novelas “Globais”. Na mídia impressa, tem-se a revista Caras, que se torna uma verdadeira cartilha para alguns do setor têxtil.

 

Outra forma de expressão é aquela que nasce nas ruas. Um bom exemplo é o street style japonês, uma “tribo” que personaliza essa mistura entre cyber fashion (materiais plásticos, fosforescentes, extraterrestres) com roupas de segunda-mão, o equivalente aos clubbers ou aos freqüentadores da Galeria Ouro Fino ou Mecado Mundo Mix, em São Paulo. São criadores do seu próprio estilo, podem fundir o estilo tradicional japonês com roupa ocidental, ou misturar humor e sobreposições inusitadas, criando uma nova linguagem, uma “nova harmonia ”. Nada é por acaso, aliás, tudo é muito bem arquitetado. Eles se tornam fonte de inspiração...

 

É, portanto, necessário ficar bem atento aos self designers – os estilistas de si próprios. Uma coletânea de fotos de Shoichi Aoki foi aditada recentemente e vale a pena conferir este grupo retratado (Fruits – Phaidon Press Inc. – NY 2001). Pode-se acessar a editora Phaidon pelo site www.phaidon.com , podendo-se consultar e visualizar livros (folhear algumas páginas, inclusive obtendo informações do número de imagens, etc.) de várias áreas, como fotografia, moda, arquitetura, decoração, desgin , etc.

 

Há publicações que antecipam ou direcionam caminhos: são as revistas de comportamento e design , como View, Wall Paper, The Faces, Dazed & Confused e outras. Contendo detalhes que são a tradução da vanguarda, estas revistas expressam através da diagramação, das fotos, do enfoque, das cores, uma preocupação acurada. Apontam para a nova linguagem de artistas gráficos, fotógrafos, desginers, stylists , enfim todo um arsenal de profissionais que tem como único objetivo captar e propor “o novo”, o que se tornará estilo e se transformará em tendência. Navegar nos sites dessas revistas já é uma forma de conhecer sua linguagem pelo próprio visual apresentado na tela. Propõe-se a consulta na Dazed & Confused no site < www.confused.co.uk > ou na Wallpaper no site < www.wallpaper.com >.

 

A revista View é a Bíblia do mundo fashion , tanto para o mercado têxtil como para os confeccionistas e profissionais da moda, e que traz propostas com antecipação de dois anos para cores, matérias-primas, silhuetas e comportamento, analisando de forma visionária desfiles tanto de alta costura como a prêt-à-porter , para os segmentos masculino e feminino. Tem também uma matéria especifica que acompanha e decodifica comportamentos das ruas que acabam norteando as tendências.

 

No mercado editorial de moda, para se ter um dado mais objetivo, o ideal á pesquisar as revistas ou sites por segmento, por tribos, por interesses específicos. Assim pode-se estudar o seu público-alvo e se informar sobre o que realmente está acontecendo... até para propor algo totalmente diferente, mas levando em conta suas exigências e características.

 

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