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Design e Moda: como agregar valor e diferenciar sua confecção

Carlota Rigueral, IPT, 2002.

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Visualização da Coleção

Depois de termos utilizado a ATENÇÃO para procurar o que estava à nossa volta e acionado a SENSIBILIDADE para captar o que havia de mais interessante, alinhavamos esta seleção, ativando a CRIATIVIDADE para escolher os caminhos, as inspirações ou os temas a serem trabalhados. Porém todo este trabalho tem que ser norteado pela HARMONIA que com o seu bom senso, vai lapidando e valorizando o foco da coleção.

 

Na verdade este é o resumo do curso, é a seqüência dos passos para elaborarmos a coleção. Porém para visualizarmos todo este trabalho de forma concisa, vamos elaborara um MAPA, que será a panorâmica dividida por períodos de entrega tornando-se assim o guia para todos os envolvidos no processo de produção e vendas da coleção.

 

O MAPA como próprio nome já diz, contém todas as informações necessárias de uma forma sintética, para nos guiar desde o processo de criação (antes mesmo de elaborarmos as fichas piloto) até a entrega das mercadorias ao cliente (lojista). Ele é uma sugestão para possibilitar que tenhamos uma visão do todo ao mesmo tempo nos obriga a raciocinar para elaborar toda uma seqüência de trabalho, que deverá ser cumprida por todos os envolvidos. É um documento que facilita a cobrança e o acompanhamento do processo, desde que cada setor desenvolva uma codificação inserida no próprio MAPA, que permita dar posicionamentos rápidos.

 

Ex.: Caso um modelo já tenha sido cortado na produção, ele receberá um traço verde atravessando o modelo de lado a lado, caso este mesmo modelo já tenha sido enviado para a produção, se completará o “X” com outra cor e assim por diante, cada setor pode desenvolver sua linguagem. A modelagem por exemplo, pode fazer o mesmo para sinalizar que já fez o molde e completar o “X” quando tiver desenvolvido a ampliação.

 

Estas são posturas pragmáticas e de resultado imediato. Não estão relacionadas diretamente ao Design , mas são processos que ajudam a organizar e viabilizar a produção, permitindo um acompanhamento e uma troca de informações entre os setores (através de reuniões periódicas de avaliação), dando margem a ajustes , evitando erros que podem comprometer o resultado final.

 

No MAPA deve constar:

ABA

 

Etiqueta com o nome da marca e a identificação da coleção.

Ex.: Coleção Chicha da Silva (verão 2002/03)

 

CABEÇALHO

Data de entrega na loja.

Ex.: 9B

9 = ao mês de entrega, que no caso é setembro

B = a semana de entrega, que no caso é 2ª semana

 

1º) REF. (nº do modelo)

O ideal é haver um tabela classificada por categorias (calças, saias, camisetas, etc..)cujos primeiros dígitos identifiquem a categoria à primeira vista.

Ex.: 1578 (onde 15 seria a regata e 78 o nº do modelo)

Para facilitar também, podemos ir arquivando o número do modelo em uma pasta, não corrermos o risco de repetir

 

2º) MP (matéria-prima)

Podemos numerá-las ou simplesmente nomeá-las, pois os objetivo é identificar o que está sendo proposto. No caso de fornecimento externo pode ser colocado o código do fornecedor.

 

3º) FORNECEDOR (da matéria-prima)

Especificar o fornecedor para facilitar o pedido posterior.

 

4º) CONSUMO (da matéria-prima especificando peso ou metragem)

Deve ser anotado a lápis num primeiro momento, apenas levando em conta o consumo da peça piloto para estimarmos o que será utilizado.

 

5º) CORES (nome das cores disponíveis naquele produto)

Colocar em cada linha uma cor do produto (pois ao lado será colocado o volume de venda por cor a ser produzido).

 

6º) QUANT. (quantidade por cor a ser produzida)

No caso de estimarmos vendas para acionar o processo de produção, sugerimos que sejam anotados os volumes numa coluna de cor diferenciada, para, após o fechamento das vendas, avaliar a diferença do que foi comprado e do que realmente será produzido com relação à matéria- prima e aos insumos.

Desta forma é possível visualizar rapidamente possíveis discrepâncias que irão nortear a tomada de decisão para corrigir problemas de excedentes ou escassez.

O mesmo procedimento (quanto a anotações em cores contrastantes), se emprega ao item consumo.

 

7º) CUSTO

 

8º) VENDA (preço de venda)

Foi reservado um espaço para os itens 7º e 8º , mas na verdade esta informação, dependendo da filosofia da empresa, pode ser suprimida.

O conjunto de itens acima, é uma sugestão com uma formatação muito simples e objetiva, que pretende proporcionar uma panorâmica da coleção de rápida visualização e com o intuito de facilitar o trabalho de todos os envolvidos no processo. Logicamente, depende do preenchimento correto e da checagem periódica de todas as informações, servindo como um guia a ser seguido por todos os setores.

O ideal é que estes MAPAS saiam do setor de desenvolvimento (estilo) e que tenham cópias para modelagem, PCP e produção.

Caso haja itens que sejam produzidos externamente (como acessórios), o ideal é que fosse feito um MAPA separado, pois este não circularia nos outros setores a não ser no setor de desenvolvimento.

 

Start da Coleção

A partir da definição do que irá compor a coleção (aviamentos, estampas, bordados, etiquetas e mesmo matéria-prima), iniciamos o processo de execução propriamente dita.

 

Primeiro preparamos os lay-outs de orientação para cada fornecedor e agendamos reuniões com os mesmos para passar-lhes o que deverá ser desenvolvido (no caso de fivelas, etiquetas, bordados, estampas, apliques, etc...).

 

Já os aviamentos que não serão exclusivos (como zíperes, botões, passamanarias, cordões, etc..), agendamos com os fornecedores apenas para analisarmos o que melhor se encaixa no visual da coleção.

 

O start do processo é justamente organizar o material que precisaremos para a pilotagem e o mostruário (caso haja) e acionar vários fornecedores para conhecer o que está sendo lançado e o que poderá ser desenvolvido, em termos de cores, formas, etc...

 

Se tivermos acionado as “ferramentas” anteriormente, já teremos arquivado tudo o que nos impactou num primeiro momento. Portanto, o segundo contato com os fornecedores, será para passar os desenvolvimentos especiais.

 

Uma sugestão para arquivar o que nos interessa, é abrir pastas com todas estas informações, relativas ao produto e ao fornecedor. O ideal é segmentar por fornecedor ou por produto.

 

Quanto mais informações adquirirmos, arquivarmos e transcrevermos, mais fácil será o levantamento de custo e a elaboração da ficha técnica. Dados como código do produto, cores, preço unitário, prazo de pagamento, etc., são fundamentais.

 

Já o nome do fornecedor, contato, são imprescindíveis para o setor responsável pelas compras. Todo este arquivo de informações deve ser colhido neste período, para evitar correrias de última hora para coleta de informações e o levantamento do custo.

 

Ao ser dado o start da pilotagem, o importante é ter a visão do todo, caminhando de forma organizada e de preferência seguindo um cronograma pré-estabelecido.

 

A fase de desenvolvimento da modelagem faz parte do start e segue paralela a esta pesquisa. Por este motivo utilizamos a ficha piloto, que acompanha este período de implementação e aprovação, onde poderão surgir acertos ou alterações quanto à matéria- prima, aviamentos e outros detalhes da coleção. Mesmo o atraso na entrega dos itens acima, pode ocasionar trocas, para viabilização do processo.

 

Ficha de Pilotagem

A ficha de Pilotagem tem como função, orientar a modelista no desenvolvimento da peça piloto. Nesta ficha estarão descritos todos os detalhes, tanto para a modelagem como para as piloteiras. Na verdade a Ficha de Pilotagem pode ser considerada o rascunho da Ficha Técnica. Por este motivo, se montarmos e preenchermos as Fichas de Pilotagem no computador, teremos os arquivos disponíveis e atualizados, facilitando a elaboração da Ficha Técnica.

 

Para definirmos as peças a serem modeladas, podemos nos basear em croquis (criação), fotos (revistas, vitrines, etc.) ou peças prontas (de concorrentes ou próprias – de coleções passadas). Para agilizar o processo e ajudar na localização das peças prontas, podemos codificá-las e essa mesma codificação será transcrita no MAPA (sobre o croqui). Esta codificação não é a referência de venda, mas apenas o número da amostra (localizador).

 

Os dados que devem constar da Ficha de Pilotagem são os seguintes:

 

CABEÇALHO

1º) Nome : (responsável pelo croqui)

2º) Para : (responsável pela modelagem)

3º) Data : (do dia em que foi passado para a modelista)

4º) Ref. : (referência da modelagem)

5º) Coleção : (a estação a que corresponde)

6º) Entr. : (especificar o período de entrega da mercadoria)

 

DADOS REFERENTES A MATÉRIA-PRIMA

1º) Tecido : (colocar o nome e o código do tecido utilizado pelo fornecedor)

2º) Fornecedor : (nome do fabricante da matéria-prima)

3º) Larg. : (largura da matéria-prima)

4º) Rend. : (no caso de malha – especificar rendimento)

5º) Gram. : (no caso de malha – especificar gramatura)

6º) Composição : (caso haja mais de uma matéria-prima no modelo, especificar)

7º) Cor da Piloto : (havendo mais de uma cor no modelo, especificar)

8º) Consumo : (especificar por cor ou matéria-prima diferenciada)

9º) Amostra de tecido : (cortar e colocar no local adequado, de preferência na cor da piloto para evitar confusões. Caso haja mais de uma cor ou matéria-prima no mesmo modelo, colocar amostra de tudo que será utilizado)

 

CROQUI e DETALHAMENTO

Na Ficha de Pilotagem temos um espaço reservado para colocar o croqui tanto de frente como de costas. Mesmo sendo uma peça pronta, sugerimos que seja feito um croqui ou uma fotografia, para facilitar a identificação durante o desenvolvimento. No caso de foto, podemos digitaliza-la para colocar na Ficha Técnica ou mesmo na Ficha de Pilotagem. Caso seja um recorte de revista ou mesmo uma foto de vitrine, é sempre melhor transformá-lo em croqui.

 

Abaixo do croqui, há um espaço para discriminar a fonte (se revista ou marca de peça pronta) e no caso de modelos próprios (de coleções passadas), podemos especificar a referência anterior.

No mesmo espaço do croqui, o ideal é que sejam colocadas as medidas principais (comprimento do corpo, tórax, comprimento manga, cava, cintura, etc.) para agilizarmos o processo utilizando uma base de referências aprovada anteriormente.

 

Logicamente, estas medidas servem como orientação (pois a peça pronta deveria estar dentro desta tabela), porém temos que levar em conta a matéria-prima (caimento) e se haverá algum processo posterior à confecção que afetará diretamente a modelagem, como lavagens ou tingimentos. Os fabricantes hoje em dia, já fornecem estas orientações e muitas vezes até mesmo possuem a porcentagem de encolhimento. Quanto às costuras (agulha, tração, etc.) podemos também nos informar qual a especificação ideal para obter bons resultados. Como já dissemos anteriormente, podemos fazer pequenos testes ou apenas uma peça antes de desenvolver toda a coleção, para identificar estes detalhes que poderão se tornar um problema na produção.

 

A grade que será ampliada também vem especificada abaixo do croqui (espaço reservado) e sugerimos destacar o tamanho da peça piloto pelo uso de cor.

 

Quanto mais informações descrevermos nos croquis, como: costuras, acabamentos, localização de estampas, bordados, aviamentos (com cores e fornecedores), etc.; mais agilizaremos o desenvolvimento, evitando dúvidas e facilitando o preenchimento da Ficha Técnica.

 

Caso o espaço para o detalhamento não seja suficiente, ou haja alguma ressalva a ser salientada, estas deverão se feitas no rodapé da página, no item “observações”.

 

Abaixo das observações, deve ser colocado o nome da costureira responsável (piloteira) e a data de entrega da peça piloto.

 

DICA - Sugerimos que a Ficha de Pilotagem seja passada para a modelista já com todos os aviamentos necessários. Ela poderá nos nos fornecer os dados (principalmente medidas) dos aviamentos fora de padrão, bem como da viabilidade da aplicação dos aviamentos em geral.

 

No quesito estamparia ou bordado, sugerimos que as partes da modelagem que receberão o processo, sejam acompanhadas do desenho (cópia) já codificado com especificação de cores e gabarito (que a modelista deverá providenciar). Este código deverá ser colocado também no croqui.

 

Na prova de roupas, sugerimos marcar sempre com o mesmo modelo, para evitar diferenças de caimento e preservar o padrão de medidas.

 

Outra sugestão, é fazer todas as observações referentes à prova das roupas por escrito. Esta atitude é uma forma de organizarmos as alterações a serem feitas e também facilita o check-list na segunda prova.

 

Tags e Embalagens

Temos vários recursos para valorizar a coleção e um deles são os tags e as embalagens. Os tags podem ser pendurados (pinos, cordas, correntes, etc.) ou aplicados nas peças (com travetes ou pontos de alinhavo) e são uma forma de destacar a marca ou segmentar os produtos. Podemos ter dentro de uma mesma linha, segmentos diferentes como: roupa íntima ( underwear ), linha noite (pijamas) ou mesmo uma linha esportiva. Por este motivo, uma sinalização que valorize e destaque esta segmentação é interessante. Mas há também dentro de um mesmo segmento tematizações que podem ser destacadas, por exemplo: dentro de um segmento de camisetas, podemos fazer uma coleção específica para esportes radicais e outra para esportes náuticos e assim por diante. Estas abordagens podem ser valorizadas com inúmeros recursos (que não signifiquem necessariamente custos astronômicos) e que podem causar um impacto interessante.

 

Podemos utilizar recursos e materiais relacionados ao segmento e “criar” o clima ou a ambientação que “lincará” com o produto. Ex.: Posso usar miniaturas (já existentes no mercado, para não acarretar custo de matriz para o desenvolvimento), posso associar verão com bóia, ou algo relacionado a cinema com uma caixa de filme e assim por diante. Posso usar materiais inusitados para expor apenas o logo e chamar a ATENÇÃO pelo “novo”, pelo impacto.

 

O mesmo acontece com as embalagens. Mesmo não tendo loja própria, você pode procurar soluções dentro do material existente, propor uma linguagem diferente (lembre-se da linha de comestíveis italianos). Tudo está em “criar” uma linguagem diferente. Ex.: se criamos uma coleção com temática de frutas – podemos utilizar materiais empregados nesse segmento, como: saquinho de plástico tipo redinha. Enfim, é usar a imaginação...Imagine uma estampa corrida; frutas dentro de um saquinho destes...

 

Hoje temos uma infinidade de materiais no mercado e podemos acoplá-los de forma diferente. Uma sacola de papel com partes em polipropileno permitindo a transparência, ou mesmo uma sacola de plástico dupla onde podemos inserir uma folha de papel colorida, isto nos permitiria criar várias sacolas só trocando o papel de acordo com a cor ou a estampa da coleção...

 

Pense nisso.

 

Utilize sobras ou “encalhes” para criar estes detalhes, que vão agregar valor ao seu produto e destacá-lo no mercado por propor algo diferente.

 

O importante é:
Se for investir, escolha o inusitado

DESTAQUE-SE,
não seja mais um.

 

Folders e Catálogos

Uma coleção, depois de bem concebida, merece uma divulgação ampla e nada melhor do que apresentá-la de forma impressa. O catálogo é o recurso mais utilizado para divulgação, mas temos a possibilidade de lançar um folder com um custo menor, preservando quase o mesmo impacto. Como a própria coleção, os veículos de divulgação devem seguir a mesma linguagem, dentro do mesmo “clima” e focando a temática da coleção.

 

Quando temos a possibilidade de desenvolvermos algo novo, já que vamos ter que arcar com um investimento, o melhor é optar por algo que marque, que chame a ATENÇÃO , que seja impactante. Hoje em dia, com a enxurrada de malas diretas existentes, o melhor é ter o foco bem claro (nosso público alvo) e, procurar caminhos novos para atrair o cliente final.

 

Desde as cores, a diagramação, o formato, a linguagem até a ambientação, devem ser meticulosamente estudados, seguindo a direção e o enfoque da valorização do produto. Como já dissemos no tópico anterior, todo este trabalho não significa necessariamente custos absurdos. A CRIATIVIDADE deve ser o que irá nortear este desenvolvimento.

 

Pensando em reduzir custos, podemos partir de facas existente (tamanhos e formatos disponíveis no mercado), fazer fotos sem modelos, usar locação interna e utilizar estas “restrições” com CRIATIVIDADE , resguardando o enfoque e mesmo assim, valorizando e propondo resultados de bom gosto. Uma idéia é procurar coisas que façam um link o que foi desenvolvido, o produto. Podemos utilizar a matéria-prima, as estampas, os detalhes, as cores, etc., que serviram de inspiração ou mesmo que foram a base do desenvolvimento da coleção. Para orientarmos os responsáveis pelo catálogo ou folder , podemos justamente ir separando idéias desde o período de pesquisa. Analisar o que já foi feito e tirar idéias de trabalhos existentes no mercado é uma forma de encurtar o caminho.

 

Como já dissemos, usando a ferramenta da ATENÇÃO , vamos separando materiais de impacto e com a SENSIBILIDADE , vamos analisando e filtrando o que realmente poderá vir ao encontro de nosso perfil como marca e ao agrado do nosso cliente final.

 

É importante separar catálogos e folders da concorrência, páginas onde a diagramação está equilibrada, onde sugestões de fundo e jogo de cores esteja harmonioso, enfim arquivar “idéias”, pois sempre poderão servir para ilustrar e orientar caminhos na hora do “ briefing ”. Logicamente, sua agência ou responsáveis pelo setor podem e devem trazer sugestões, mas é sempre bom manter-se ATUALIZADO em relação ao mercado e consciente do que se quer e do que não se quer como resultado.

 

A impressão pode ser feita sobre qualquer base que aceite impressão e os materiais já podem vir sendo estudados desde a fase de planejamento da coleção. O conceito vem sendo criado e idéias podem aflorar, muitas vezes da própria matéria-prima utilizada na coleção.

Se a coleção tem um visual muito forte, pode-se optar por algo muito simples e sem grandes interferências, para não causar um visual poluído. Não podemos correr o risco de criar um ambiente que se torne mais importante que o próprio produto e acabe por ofuscar o mesmo. Por isso, o briefing deve ser claro e os responsáveis pela produção devem ter conhecimento do conceito da coleção. A familiaridade com o produto e seu público alvo vão ajudar a elaborar propostas que sejam compatíveis com o foco.

 

Podemos inovar também nos formatos, partindo da premissa de aproveitar facas ou formatos já existentes, e estudando a diagramação dentro desse espaço. Este fator que num primeiro momento poderia parecer uma limitação, pode ser revertido a nosso favor, tornando-se uma ferramenta de diferenciação, causando impacto justamente por associar o nosso produto a um contexto que nunca havia sido proposto por aquele segmento. Um exemplo hipotético no caso de embalagem: utilizar uma caixa de leite para inserir seu produto (camiseta, maiô, óculos, etc.). Estaremos aproveitando uma embalagem do mercado, mas propondo sua utilização de uma forma totalmente inusitada e ainda transformá-la em folder , usando-a desmontada ilustrando seu espaço com imagens da coleção. Assim conseguimos “lincar” a linguagem da embalagem com o folder e até, criar estampas que tenham a ver com leite, nos próprios produtos. Este seria um exemplo de uma coleção que começou de trás para frente. Como já citamos, o processo de criação não tem uma seqüência rígida e por este motivo, podemos começar até mesmo pela idéia da vitrine, da embalagem ou da forma de divulgação. A inspiração pode partir de qualquer motivo.

 

A diagramação (estudo do espaço disponível na página) é fundamental para valorizar nosso produto e criar uma visualização harmônica. Desde a fonte a ser utilizada até as informações do produto a serem transmitidas, devem ser estudadas em todos os detalhes, elegendo uma linguagem que deve ser preservada no catálogo inteiro. Muitas linguagens num mesmo espaço, só servem para confundir e poluir o visual, por isso, o caminho escolhido deve ser assumido claramente.

 

Também quanto à produção propriamente dita (fotos), a concepção da coleção deve ser preservada, mas expondo com originalidade os produtos, sem necessariamente estarmos presos a apresentações padrão, caso o briefing não nos dê essa limitação. Ex.: não precisamos apresentar todas as roupas vestidas mostrando o caimento, podemos simplesmente , expô-las num varal ao vento e conseguir transmitir o a temática da coleção, as cores, a leveza da matéria-prima e assim por diante. Podemos sim, depois ter uma imagem complementar que enfoque o acabamento e a textura do material empregado, ou mesmo uma outra imagem vestida exibindo a peça principal da coordenação, vestida para apreciarmos o caimento. Dessa forma vamos formatando o conceito e construindo o clima de valorização do produto.

 

Showroom / Feira

Criar um ambiente especial para apresentar a coleção é algo que só irá agregar-lhe mais valor e motivação para os que forem conhecê-la. Mesmo que não tenhamos uma equipe de vendas, é importante transmitir o conceito e a forma como foi concebida a coleção. As vezes o que está claro para nós, pode não estar tão claro para os outros.

 

É importante mostrar cada tema (se é que trabalhamos por temas), chamando a ATENÇÃO para os diferenciais, os pontos fortes, os detalhes de modelagem, acabamento, caimento, matéria-prima, enfim fazer uma explanação completa e objetiva sobre o que foi desenvolvido.

 

Nada melhor do que preparar um espaço, que além de agradável seja harmonioso e coordenado com o que está sendo apresentado. Montar um showroom para receber os compradores ou mesmo uma sala para apresentar a coleção para os representantes, merece toda nossa ATENÇÃO e cuidado para criar uma atmosfera especial em torno da coleção. Podemos partir desde a escolha de uma cor para pintar o ambiente, que faça parte da coleção, até fazer arranjos ou decorações que se identifiquem com a temática apresentada. Mesmo o que formos servir, pode seguir a mesma linguagem. Desde a bebida (sucos nas cores da coleção), ou até mesmo balas, sorvetes, enfim tudo depende da verba que temos disponível, mas sempre é possível fazer algo original, de bom gosto e criativo. A apresentação da coleção, por mais simples que seja, deve criar um ambiente marcante, para que este se torne especial para todos os envolvidos.

 

Se não valorizarmos o nosso produto nessa ocasião, quem o fará?

 

Para os que apresentam sua coleção numa feira ( stand ), o mesmo enfoque do showroom deve ser preservado. O ideal é que seja muito mais impactante, pois, à nossa volta, teremos toda concorrência expondo ao mesmo tempo.

 

A pesquisa de materiais para que vão decorar o ambiente e coordenar com a coleção é uma seqüência do que se fez até então. Se houverem toalhas, elas podem ser da própria estampa ou nas cores da coleção, mesmo um sofá pode ser forrado (tipo capa amarrada) com o mesmo material e assim por diante. Podemos contratar pessoas especializadas, mas podemos nos informar (com revistas, ou visitas em lojas de vários setores) e executarmos o projeto com as próprias mãos. Tudo depende do quanto temos para investir e do tempo disponível para executar.

 

Um check- list é imprescindível, para não deixarmos nenhum detalhe esquecido. Cartelas de cores (ideal ao menos uma para cada representante), listagem de preços e programação de entrega (se houver), além da codificação em cada peça, especificando tamanhos disponíveis e cores. Quanto mais informação o representante e o cliente tiverem, mais ágil se tornará a compra, facilitando o preenchimento do talão de pedidos.

 

Quando valorizamos o momento,
ele se torna um evento!

 

 

Desfiles e Eventos

Este recurso é o que nos permite ser o mais lúdico. É realmente onde podemos nos desvincular do comercial e propor algo novo e inebriante.

 

O desfile em si já é um grande evento, pois se optarmos por faze-lo, é porque acreditamos no potencial da coleção e nada melhor do que construir toda uma estrutura que pode se tornar um sonho.

 

Há desfiles em que unicamente são apresentados os conceitos e as roupas, os produtos se tornam camuflados pela atmosfera e a ambientação. Logicamente é uma questão de posicionamento, decidir por algo mais comercial dentro de uma atmosfera que também valorize a coleção, mas não interfira no visual do produto ou, como citamos acima, criar toda uma estrutura de impacto, onde o foco é a inspiração e o produto passa a ser uma complementação do visual.

Há também uma terceira postura, que seria mesclar estes dois posicionamentos anteriores.

 

Tudo é possível num desfile e só depende do grau de impacto que quereremos transmitir.

 

Temos vários exemplos de atuações que nos fornecem material para pesquisar e analisar o que mais agregará valor e nos dará retorno junto ao mercado.

 

Se queremos marcar pelo modelo “X” ou “Y”, ou se queremos nos destacar pelo inusitado.

 

Temos que analisar nosso público alvo, mas podemos também usar como recurso a “surpresa” e propor um momento de festa, de êxtase. Não há um compromisso tão rígido (ainda mais hoje em dia), que não permita deixar aflorar a CRIATIVIDADE e elaborar este momento de sonho.

 

Aliás, nós brasileiros temos proposto trabalhos em que tanto o conteúdo (o produto em si), como a apresentação, tem demonstrado extrema originalidade. Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, Herchcovitch, Sommer, são alguns dos estilistas que estão sempre propondo apresentações de forma diferenciada, onde não só a coleção em si é impactante, como a forma de apresentá-la, prima pela originalidade. No exterior os magos da performance são bem conhecidos, como: Galliano, Gaultier, McQueen, Chalayan e outros, que exploram a temática muitas vezes de forma teatral , criando assim um grande espetáculo.

 

Mais uma vez, voltamos a falar sobre investimento e perceber que de forma criativa podemos também propor inovações sem que isto acarrete despesas que não possam ser diluídas no custo. Ronaldo Fraga é um ótimo exemplo de CRIATIVIDADE , quando nesta última versão do São Paulo Fashion Week, inovou desfilando seus modelos em bonecos de madeira e do final (por haver quebrado o sistema mecânico), usou mais uma vez a CRIATIVIDADE e colocou suas camareiras “desfilando” os bonecos, isto é, carregando os bonecos. Herchcovitch, por exemplo, sempre desfila preservando uma característica, que é deixar o rosto da modelo praticamente velado, prevalecendo assim, “o modelo” e não a modelo. Isto é uma alternativa, para evitarmos grandes cachês, pois o principal não é a personagem, mas o traje. Outro exemplo na última coleção de Herchcovitch, foi a passarela em madeirite (material considerado “pobre”), onde foram feitos degraus formados por caixas de várias alturas diferentes, criando assim um percurso totalmente alternativo, fugindo das passarelas habituais dos desfiles.

 

Estes exemplos ilustram mais uma vez, que com CRIATIVIDADE podemos causar impacto e inovar com bom gosto.

 

Podemos inovar, desde a escolha do local onde ocorrerá o desfile. Galliano, já apresentou seu desfile em uma estação de trem (onde as modelos vindas de um a “viagem fantástica”, desembarcavam na estação), McQueen na sua época punk chegou a apresentar seu desfile numa igreja Gótica. Galpões abandonados, frigoríficos, velhas fábricas tornam-se cenário de eventos que poder se transformar em um palco magnífico. Tudo depende da imaginação ser acionada.

 

Mas o desfile não é o único recurso para apresentarmos uma coleção, podemos também promover um evento direcionado ao público alvo. Em campeonatos de surf, montar um Luau, ou numa caverna (logicamente com licença do órgão responsável), apresentar uma coleção voltada a esportes radicais (tipo traking ), enfim usando a imaginação, podemos associar e promover eventos ligados ao mercado onde atuamos.

 

Podemos associar os eventos promovendo além de campeonatos, concursos, exposições, apresentações de várias áreas, fazendo até mesmo associações que possam ratear o custos do investimento e, ao mesmo tempo, promover o lançamento da coleção, divulgando cultura.

 

mais importante, é propor o inusitado de bom gosto, onde cada espectador sairá com a sensação de que foi “presenteado” com um momento especial e que o prolongamento deste sonho seja o seu produto. A coroação do evento será ter transformado o produto, em objeto de desejo. Onde “usar um sonho” expressa um pouco da aura que construímos naquele momento.

 

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